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CRÍTICA | Se você procura um slasher de vingança “Piggy” é uma boa escolha

Um slasher com vingança quando bem apresentado sempre se torna uma grata surpresa. E o novo filme de terror espanhol que estreou no Festival do Rio neste mês de outubro traz uma história que vai embriagar o espectador com o sentimento de punição e revanche.

Dirigido e escrito por Carlota Pereda, “Piggy” é uma expansão do premiado curta homônimo, lançado em 2018 pela mesma diretora. Ambientado no verão de uma cidade rural espanhola, Sara (Laura Galán) se esconde no açougue de seus pais devido ao bullying incessante graças ao seu corpo. Assim, ela foge de um bando de garotas que a atormentam na piscina da cidade, apenas para se deparar com elas sendo brutalmente sequestradas por um estranho, que vai embora com elas em sua van. 

Foto do filme Piggy - Foto 3 de 12 - AdoroCinema

Surge a necessidade de ressaltar que “Piggy” pode contar fortes gatilhos de bullying e distúrbios alimentares. O primeiro ato do longa é focado em fazer com que o espectador sinta a dor, humilhação, e, principalmente, a solidão da protagonista. Pereda sabe trabalhar muito bem nessa fase inicial a construção desses sentimentos, seja explicitamente ou implicitamente, para que a confusão posterior da protagonista se torne compreensível e, até mesmo, incentivada pelo espectador.

Apesar do filme soar um pouco arrastado, durante os 90 minutos de duração “Piggy” prefere explorar o conflito que Sara vive em deixar as meninas que faziam bullying morrer ou fazer algo para salvá-las. Isso ganha uma proporção maior quando ela realmente conhece o serial killer (Ricahrd Holmes).

Pereda gosta de elaborar em seu roteiro situações que deixam a protagonista a beira de um surto, seja de exaustão, pavor ou até mesmo tesão. Isso tudo acaba por adicionar mais camadas a personagem, que se torna um alvo fácil para um predador graças ao sentimento de invisibilidade que paira por ali. O longa não a ridiculariza nem a inferioriza, pelo ao contrário, Sara (apesar de ser muito tonta as vezes) se torna uma personagem com veracidade. 

How Piggy (2022) Highlights the Dangers of Bullying

Mas se você pensa que “Piggy” é um filme maçante e mega dramático graças a sua temática está enganado. Tudo que abordei até agora no texto é acompanhado de elementos bastante familiares do terror slasher, como o famoso stalker ou a imprevisibilidade de um ataque. Apesar de não ter uma violência visual bem gráfica (com exceção do final), a cineasta consegue fixar uma ameaça temida com facilidade. 

Piggy” é um bom slasher de vingança, não cai nas armadilhas de se tornar algo desrespeitoso de assistir, apesar de usar o desconforto ao seu favor. Usa o bullying como uma ferramenta da narrativa e não usa o roteiro para ridicularizar a protagonista dentro de suas características físicas ou hábitos nada saudáveis. É mais pé no chão que pode parecer, porém é demasiadamente longo para a história que tem em mãos. O que faz dele um filme por muitas vezes arrastado. Ainda assim consegue construir uma conclusão que eleva a máxima potência o terror do filme, podendo surpreender o espectador com as decisões tomadas em tela.

O filme chega no streaming da Paramount+ no dia 29 de outubro.

Nota: 3,6/5

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