CRÍTICA | Primeiro ano de “A casa do dragão” chega ao fim em décimo episódio impactante

E chegou ao fim o primeiro ano de uma das séries mais bem avaliadas do momento. Depois de mais de dois meses dominando as noites de domingo e os principais tópicos da semana, A casa do dragão se despede com final impactante e bem articulado.

Em todas as análises dos episódios bati na tecla do risco que a série corria de entregar uma temporada inconsistente, se observada como um todo, mesmo que tenha episódios sensacionais, se olhados de forma isolada. No entanto, nesses dois últimos episódios A casa do dragão parece ter conseguido encerrar seu primeiro ano de forma justa e coerente com a narrativa apresentada até aqui.

Intitulado “A rainha negra” o último episódio da temporada começa poucos momentos depois de onde se encerrou o penúltimo, dessa vez pela perspectiva do time negro. Rhaenys (Eve Best) chega a Dragonstone para revelar a Rhaenyra (Emma D’Arcy) e Daemon (Matt Smith) os principais acontecimentos de Porto Real e o perigo que estão correndo nesse momento. O casal rapidamente começa a se articular politicamente até que a emoção dos acontecimentos faz a princesa entrar em trabalho de parto mais cedo.

Durante toda a agonia de um parto prematuro a princesa Rhaenyra se divide entre sofrer suas dores e tentar comandar sua família rumo aos primeiros passos de uma guerra, ou da tentativa de evitar que aconteça. Nesse meio tempo podemos ver Daemon preparando todo o terreno e criando estratégias de defesa e ataque. Assim como é possível, em tão pouco tempo, observar o apego que a princesa tem com seus filhos e o respeito que ambos tem pela mãe.

Emma D’Arcy brilha em todas as cenas que aparece, mas durante o parto é ainda mais impactante toda a força e coragem que transparece em sua atuação, conseguindo assim entregar emoção e afeto em uma das cenas mais agoniantes e sensíveis da temporada.

A sequência a seguir é uma das mais bonitas e bem dirigidas desse primeiro ano da série, a forma em que Greg Yaitanes optou por construir os momentos de silêncio deixando tudo ainda mais emocionante e trabalhando apenas as expressões corporais dos atores trouxe uma proximidade maior para o telespectador que consegue, em instantes, compartilhar da dor dos protagonistas.

O roteiro de Ryan Condal conseguiu acompanhar muito bem os principais momentos e ligar os acontecimentos daqui com alguns detalhes espalhados ao longo da temporada, como por exemplo a página rasgada que Rhaenyra recebe de Otto Hightower (Rhys Ifans) que faz uma conexão direta com o primeiro episódio.

Assistimos a princesa se despedindo de seu bebê em silêncio, ao príncipe sofrendo calado com a perda e ao funeral, que permite apenas o som da música de fundo. Até que esse momento é quebrado com o primeiro juramento feito pelo membro da guarda real Arryk Cargyll (Luke Tittensor) para a princesa, agora como rainha, e novamente o silêncio volta dessa vez como imponência enquanto seus súditos ajoelham a sua nova coroa, e a mesa tática é acesa prestes a receber as primeiras articulações políticas.

O resto do episódio segue a linha do anterior: os personagens se articulando e criando as narrativas possíveis de cada estratégia, analisando os aliados, recrutando novos soldados e pensando nas possibilidades para vencer a guerra que se aproxima, ou ponderando se será possível evitá-la.

A rainha negra” também aproveita para resolver algumas pendências que ficaram ao longo da temporada, como o distanciamento de Corlys Velaryon (Steve Toussaint) após mais um período de batalha em Stepstones, sua relação com Rhaenys e o papel que ambos devem desempenhar nessa nova fase da série.

A casa do dragão optou por encerrar seu primeiro ano literalmente com o que estava estipulado como o verdadeiro início da guerra pelo trono de ferro, a primeira dança dos dragões, aqui desempenhado pelo príncipe Lucerys (Elliot Grihault) e pelo príncipe Aemond (Ewan Mitchell) em uma cena muito bem construída e dirigida mostrando que, quando quer, a série pode entregar bons momentos de ação e tensão atrelados a uma construção gradativa de personagem e enredo.

Os dez minutos finais da temporada são de tensão, agonia e tristeza porque é o que acontece quando se cria personagens bem desenvolvidos, o público consegue sentir a perda. A escolha do roteiro de fazer parecer algo não tão intencional deve reverberar no segundo ano da série, que agora promete de fato ser guerra.

Os últimos segundos do episódio usa novamente o silêncio como ferramenta narrativa ao colocar Daemon como o portador da notícia para a Rainha Rhaenyra enquanto o telespectador tem acesso apenas as expressões corporais dos atores, que exalam tudo o que há para sentir no momento e encerra esse primeiro ano com a tristeza e ódio no olhar.

“A Rainha negra” é um episódio que consegue unir toda a essência apresentada no primeiro ano de A casa do dragão: boas cenas de articulações políticas, momentos de tensão, ação na medida certa e dragões. Embora possa soar mais morno do que deveria foi um encerramento a altura de uma primeira temporada tão exemplar, e soube deixar no ar o gostinho de quero mais e a ansiedade para o retorno dessa batalha épica.

Todos os episódios da temporada estão disponíveis no HBO Max e, embora ainda não tenha uma data confirmada, a série deve retornar para seu segundo ano em 2024.

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