Hoje, 29, no dia que se celebra o Dia da Visibilidade Trans, a literatura mostra mais uma vez que pode surgir como ferramenta de acolhimento, resistência e construção de diálogo com o lançamento do livro O Elo da Mariposa. A obra propõe uma reflexão sensível sobre o direito à existência digna de pessoas trans, especialmente em um país onde a transfobia ainda se reflete em números alarmantes.
Criado pela ilustradora Luda Aquareluda em parceria com a antropóloga e multi-artista Nambir Kaur, o livro está disponível online e se apresenta como um ponto de apoio para famílias que buscam compreender, escutar e acolher identidades trans desde a infância e adolescência.

Mais do que uma publicação, O Elo da Mariposa funciona como um convite à escuta ativa. A obra reúne relatos de familiares que compartilham dúvidas, aprendizados, afetos e desafios vividos ao longo do processo de acolhimento. São histórias atravessadas pelo medo da transfobia, pelo luto de idealizações e, sobretudo, pela potência do amor que transforma.
O projeto nasceu a partir da vivência pessoal de Luda Aquareluda, motivada pela transição de gênero de sua irmã. As ilustrações em aquarela surgem como expressão de afeto, cuidado e reconstrução de vínculos.
“Fui a primeira a saber que Rapha era minha irmã, e não meu irmão. Conceitos foram quebrados, aprendemos muito em família, e das crises surgiram pinturas de acolhimento e amor”, relata a artista.
A curadoria das entrevistas e a organização do livro ficaram a cargo de Nambir Kaur, que priorizou uma abordagem didática, acessível e amorosa, com consultoria do psicólogo Ernesto Nunes. A obra aborda temas como religiosidade, espiritualidade, envelhecimento, medo social e a surpreendente capacidade de acolhimento presente em diferentes gerações.
Editado e promovido pela Casa Jasmim, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF e da OSC Jasminas, o livro foi distribuído gratuitamente para escolas e bibliotecas da rede pública. Agora, também pode ser adquirido online. Parte da tiragem foi impressa em braille, garantindo acessibilidade a pessoas com deficiência visual.