Apesar de sofrer duras críticas a respeito do nepotismo de Bollywood, “The Archies” chegou na Netflix em dezembro do ano passado como um musical divertido, alto astral e muito bem feito. Com a direção de Zoya Akhtar, o filme indiano se baseia nos quadrinhos da Archie Comics, enquanto segue um grupo de amigos na Índia dos anos 1960 na tentativa de preservar um parque histórico de sua cidade, Riverdale.
Com 2 horas e 21 minutos de duração, o musical consegue envolver a audiência com personagens carismáticos, tramas clichês que funcionam muito bem na proposta teen e performances musicais muito bem dirigidas por Akhtar. Apesar de ter muita característica de Bollywood em sua composição, não tem como negar que o longa também se aproveitou de algumas ferramentas visuais e sonoras de Hollywood, podemos ver isso com clareza na performance da faixa Dhishoom Dhishoom, em que realiza uma referência ao musical vencedor do Oscar, Chicago. Isso não é um demérito para a produção, pelo ao contrário pode trazer uma certa familiaridade para quem não está acostumado com o cinema indiano, todavia, pode desagrados os fãs de Bollywood pelo mesmo motivo.

O roteiro não é lá essas obras de arte, nem inventa a roda, e tá tudo bem! Simples e bem clichê, “The Archies” entrega uma história com triângulo amoroso, adolescentes que tem sede de mudança, conflito de classes e a esperança de que o povo unido tem a voz para realizar toda mudança necessária em uma cidade. Mesmo que não surpreenda, o filme cria uma conexão com a audiência ao entregar uma boa história, sem pontas soltas ou desconforto.
Definitivamente o ponto mais alto de “The Archies” é sua composição visual, tanto do ambiente em que os personagens estão localizados, quanto de seus figurinos. É um deleite visual observar como a obra funciona como uma máquina do tempo direto para os anos 60. Isso se estende para as músicas, que casam perfeitamente com a proposta principal e conversam diretamente com o desenvolvimento da trama.

“The Archies” foi uma bela surpresa para encerrar o ano que já se findou. Ao contrário da série Riverdale, o filme se aproxima mais dos quadrinhos que ele se baseia do que a série da CW. Ainda que o longa tenha gerado uma grande comoção e discussão a respeito do merecimento e do nepotismo do elenco principal, uma coisa não dá pra negar: todos – sem exceção – entregaram um bom desempenho, regado de carisma e nutrem, ao fim, a expectativa de vê-los em mais produções em breve.
Nota: 3,5/5








