CRÍTICA | “Capitão América: Admirável Mundo Novo” parece uma paródia de si mesmo

Este texto não tem spoilers

O quarto filme do Capitão América e o primeiro com Sam Wilson erguendo o escudo chegou aos cinemas nesta quinta-feira (13) trazendo um thriller político para resgatar antigas histórias, conectar pontas soltas e “preparar” um terreno para novos personagens.

Capitão América: Admirável Mundo Novo dá continuidade à minissérie Falcão e o Soldado Invernal, onde o escudo está nas mãos de Sam Wilson (Anthony Mackie), após Steve Rogers (Chris Evans) o entregar em Vingadores: Ultimato. Agora, no filme, após se encontrar com o recém-eleito presidente dos EUA, Thaddeus Ross (Harrison Ford) Sam se vê no meio de um incidente internacional. Ele deve descobrir o motivo por trás de uma conspiração global nefasta antes que o verdadeiro gênio faça o mundo inteiro ser dominado pelo vermelho.

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Com 1 hora e 58 minutos de duração Capitão América: Admirável Mundo Novo parece ser uma paródia de si mesmo, ou pior, uma tentativa frustrada de emplacar um novo Capitão América 2: O Soldado Invernal. Desesperado por emular os moldes já realizados anteriormente, a produção exibe um protagonista que é coadjuvante da própria história. Anthony Mackie, ao contrário das suas aparições anteriores, está completamente deslocado, desconfortável e apático.

O roteiro exageradamente explicativo, tenta se justificar a todo momento de fatos que acabaram de ser exibidos em tela, afoito por criar ligações com o MCU antes mesmo dele se tornar MCU, bem como com o futuro dele. Tanta preocupação para preencher lacunas deixadas por Kevin Feige de maneira desleixada ao longo dos anos, fazem do texto deste filme um material engessado e frígido.

CAPTAIN AMERICA: BRAVE NEW WORLD Rumored Post-Credits Scene Details —  GeekTyrant

O que era para ser uma trama investigativa, ao fim demonstra ser pouco eficaz. Para ser mais clara: não há investigação. Todas descobertas atropelam os protagonistas, sem mais nem menos, não há uma ameaça que nos faça temer ou torcer por eles, tudo é tão superficial que você poderia assistir a este filme enquanto mexe no celular e ainda assim entenderia tudo ao fim.

Bom, mas nem tudo é de todo ruim. Harrison Ford é um dos maiores acertos da Marvel nos últimos anos. A adição do ator experiente no elenco é um frescor e uma aula de atuação, que também evidencia os pontos fracos de Mackie através da comparação inevitável. Apesar do CGI estranho do novo antagonista, a experiência de vê-lo em tela é animadora, não há como evitar. Mas, a resolução do conflito serve como banho de água fria que nos traz de volta à realidade.

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Capitão América: Admirável Mundo Novo é um começo frustrante para Anthony Mackie com o manto do herói (e digo isso com muita tristeza). O ator é colocado para escanteio em uma trama que seria melhor aproveitada com o Hulk de Mark Ruffalo, entona frases de efeito vergonhosas e serve como um “remendo” para a Marvel consertar assuntos pendentes e se preparar para um futuro com os X-Men, assim, tornando o personagem totalmente descartável em sua estreia.

Ah, o filme tem apenas uma cena pós crédito.

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