“A arte desperta e dá novas perspectivas“. Chegou aos cinemas na última quinta-feira, 13, “Sing Sing“, novo filme estrelado por Colman Domingo que exalta a forma mais pura da performance artística da atuação, uma carta carinhosa para uma arte que resgata a humanidade de quem só conhecia a violência.
“Sing Sing” acompanha Divine G (Domingo), um homem injustamente condenado, que encontra um novo propósito ao integrar um grupo teatral formado por outros detentos. Entre eles está Clarence Maclin, um novo integrante que encara o grupo com desconfiança. O filme conta com um elenco inesquecível composto por atores que já foram encarcerados.
O longa conta com três indicações ao Oscar neste ano: Melhor Ator para Colman Domingo, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original, com “Like a Bird”, e desde dos minutos iniciais Domingo prova o valor da sua indicação ao conduzir um elenco de atores que inspiraram a contar a história deste filme. Em uma narrativa regada de metalinguagem que invoca e exige a valorização da arte da dramaturgia, nós como espectadores acompanhamos o nascer de uma peça teatral desde dos primórdios. Da concepção da ideia do tema central, a construção do roteiro, distribuição dos personagens e seus testes, até que, por fim, vemos sua estreia.
Através desse processo artístico o filme exibe as aflições pessoais de alguns personagens, as dores da convivência em um sistema penitenciário e os demônios que o cercam. A falta de perspectiva, de uma vida diferente daquela, traz um certo conformismo. É triste e ataca como um punhal no peito quando o sentimento de pertencimento atrás das grades, bem como a violência que perpetua por gerações, é a única resposta para muitos… até se encontrarem na classe artítica.

“Sing Sing” não faz juízo de valor no quesito culpado ou inocente, não traz os crimes em primeiro plano e não provoca o julgamento em quem assiste. O processo de humanização, ressocialização e retomada da sua vida é o foco. É claro que definir o protagonista como um homem inocente, que reivindica sua injusta prisão e ataca o sistema, é uma ótima estratégia para tal. Afinal, assim, o protagonista conquista a confiança do público e se torna o homem idealizado dentro daqueles que o cercam.
Por fim, resta concluir que “Sing Sing” não é só um dos dos filmes mais comoventes do Oscar 2025, mas da A24 também. Emocionante, tocante, inspirador e com um toque – inevitável – de motivacional, o longa é um exercício de empatia, com um olhar cuidadoso e carinhoso com o próximo.
Nota: 5/5