Uno se comunica com carros desde criança. Quando uma lei coloca a empresa da família do pai em perigo, Uno busca o seu melhor amigo de infância: um carro. Junto com o seu tio, transforma-o no Carro Rei – um carro que pode falar, ouvir e até se apaixonar. Um carro que tem planos para todos. Essa é a história do filme dirigido por Renata Pinheiro que tem rodado por vários festivais internacionais.
Carro Rei traz uma premissa e uma discussão interessante, ele nos leva a refletir sobre a relação do homem com a máquina, seja de forma benéfica ou tóxica. O filme se apoia na fantasia e no si-fi, em momentos foge de uma narrativa clássica e vai para um cinema mais experimental com performances e cenas menos lúdicas, que a Renata demonstra sabe conduzir muito bem.
Por Renata Pinheiro vir da direção de arte, esse quesito no filme também se demonstra impecável. Tudo é muito bem localizado no filme, o trabalho de transformação nos carros durante o filme impressiona e nos leva cada vez mais para dentro do longa. Carro Rei nos leva para uma Caruaru que pode se relacionar com qualquer outra cidade de médio porte do país, e as problemáticas que traz dialogam até com as grandes cidades.

Se a arte do filme é impecável, o que nos arranca da narrativa é o roteiro, que por muitas vezes nos apresenta diálogos forçados e que colocam na boca dos personagens falas que não condizem com a sua construção. Carro Rei traz um texto muito óbvio e literal, ele te escancara a mensagem que quer passar e te força a refletir sobre o viés que ele quer. Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro, roteiristas do filme, parece que queriam construir uma tese em cima da sua obra que trouxe momentos engessados que, às vezes, nem mesmo as boas atuações de Matheus Nachtergaele e Jules Elting salvaram a cena.
Carro Rei é uma obra eficiente. Tem um aspecto técnico muito bem feito, com uma direção e direção de artes impecáveis, mas que tem um roteiro que deixa a desejar, não pela sua história, mas por se perder na sua construção e trazer diálogos maçantes e excessivamente expositivos.
NOTA: 3/5








