CRÍTICA |  “O Exorcista do Papa” traz Russell Crowe como o super-herói do Vaticano

Inspirado nos arquivos reais do Padre Gabriele Amorth, Chefe Exorcista do Vaticano, “O Exorcista do Papa” estreou nos cinemas brasileiros no começo deste mês de abril trazendo Russell Crowe como um super-herói de batina e crucifixo. O novo terror da Sony Pictures não inova mas acerta em cheio na execução de um bom e divertido terror de exorcismo.

No filme acompanhamos Amorth (Crowe) enquanto ele investiga a terrível possessão de um menino e acaba descobrindo uma conspiração secular que o Vaticano tentou desesperadamente proteger e manter no esquecimento. 

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O longa inicia e modela toda sua narrativa em um molde já conhecido de produções de horror deste mesmo nicho. Exibindo, à princípio, um padre com personalidade forte, um tanto quanto cômico e rebelde, em meio a seus afazeres macabros, por isso não inova mas faz com uma boa qualidade. Durante 1 hora e 43 minutos de duração Russell Crowe mostra ser um ser implacável, ainda que tenha falhas e remorsos, sua fé soa quase como o “S” que o Superman usa em seu peito.

Ao seu lado está Daniel Zovatto vivendo o novato padre Esquibel, que nunca presenciou um exorcismo em sua vida! A dinâmica entre os dois é essencial para aliviar a tensão nos ombros do protagonista. Ainda que o padre mais experiente sirva de âncora e farol, há certos momentos dramáticos em que o papel se inverte e o padre imbatível ganha uma profundidade que nos faz sentir empatia e criar uma conexão com ambos personagens.

O Exorcista do Papa': Russell Crowe desafia o capeta e nossa paciência -  06/04/2023 - UOL Splash

Quanto ao terror, não espere muitos jumpscares. O forte de “O Exorcista do Papa” é criar a tensão que precede o susto. O filme é inteiramente intenso e provoca um sentimento que deixa o espectador pronto para qualquer atrocidade que vá acontecer.

Os efeitos especiais auxiliam a imersão dessa tensão no horror. Em grande parte da produção, os efeitos práticos e de computação gráfica são bem convincentes e nos trazem um certo desconfortos. Todavia, fica claro, em determinadas cenas, o flerte com o terror trash

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Sabendo que a maioria dos filmes de exorcistas não carreguem consigo uma profundidade mais complexa em sua narrativa, “O Exorcista do Papa”  nada contra  a maré e emplaca certos artifícios em sua trama que choca o público. O roteiro brinca com acontecimentos históricos para explicar o objetivo e a missão do maior antagonista desta trama.

Ao fim o longa deixa um gosto amargo, porque tudo parece ter sido resolvido rápido e fácil demais. É inevitável esperar alguma pegadinha, algum detalhe que nos mostre que o mal venceu sim e que há mais por trás daquilo tudo. No entanto, tudo que nos resta ao fim é a tentativa da Sony em transformar este filme no começo de uma franquia.

O filme está em exibição nos cinemas.

Nota: 3,7/5

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