CRÍTICA | “Creed III” marca uma nova era, mais independente e pessoal

Após quase 8 anos de reviver uma das franquias mais amadas pelos cinéfilos fãs de lutas, Michael B. Jordan retorna para o terceiro filme focado no herdeiro de Apollo Creed, Adonis Creed. No entanto, ao contrário dos dois filmes já lançados, “Creed III” é o primeiro a trilhar um caminho mais independente, se desapegando de amarras nostálgicas que Rocky o aprisionava. 

Em “Creed III” acompanhamos Adonis Creed (Michael B. Jordan) no auge da sua carreira de boxeado e na vida familiar. Até que um amigo de infância e ex-prodígio do boxe, Damian (Jonathan Majors), ressurge depois de cumprir uma longa sentença na prisão. Os dois velhos amigos devem lutar para enfrentar seus passados juntos e enfrentar o futuro que os aguarda. 

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A construção narrativa deste filme carrega consigo uma identidade mais clara e original, quando comparamos com os dois que a antecederam. Desta vez, acompanhamos um desenvolvimento mais pessoal e íntimo de Adonis, provocando seus medos, seu passado e como ele os encara – agora que está em um momento mais confortável de sua vida. 

O modo como a trama é provocativa acerca de debates de saúde mental e traumas foi uma excelente escolha do roteiro. De forma sutil, mas clara, esta pauta se mantém firme em toda proposta que ronda a história principal. 

Além de protagonizar, Jordan estreia sua carreira como diretor neste filme roteirizado pela dupla Zach Baylin e Ryan Coogler. E devo adiantar, o ator fez um excelente trabalho nesta função. A escolha assertiva de focar nos sentidos dos personagens em momentos cruciais foi um acerto gigantesco, provocando uma emoção acentuada no espectador. Ademais, fica notório em determinadas escolhas criativas o lado otaku do diretor, principalmente no embate final, em que tudo fica mais teatralizado e espetacular.

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Quando falamos do desempenho do elenco, é indiscutível que o embate de gigantes entre JordanMajors eleva a qualidade narrativa da trama. Enquanto, Michael B. Jordan molda um personagem com mágoas e arrependimentos, Jonathan Majors vem como alguém ressentido, amargurado e beirando a crueldade. E o mais interessante de seus arcos é que não há vilão ou herói. Por mais que Majors viva alguém implacável, quando suas histórias se desenrolam é possível notar que a intenção do roteiro foi criar personagens vítimas de um sistema falho. Assim, mostrando como há mais de um caminho a ser trilhado, ainda que sejam padecedores de um mesmo mal.

Creed III” é um filme emocionante, seja da forma dramática ou em suas lutas incrivelmente coreografadas e dirigidas. Seguindo um caminho mais pessoal e desvinculado de sua franquia de origem, este longa marca uma nova era para a tão sonhada expansão do universo de Adonis que Michael B. Jordan sonha em promover.

O filme está em exibição nos cinemas brasileiros.

Nota: 4/5

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