CRÍTICA | The Last of Us: Uma ótima adaptação, uma ótima série?

The Last of Us estreou com grande alvoroço e elogios em janeiro deste ano, o episódio piloto da série conseguiu trazer perfeitamente a sensação de desespero do prólogo do jogo que inspirou a produção, além de adicionar ainda mais camadas à obra sem deturpá-la. Logo de início Pedro Pascal e Bella Ramsey foram elogiados pelas suas atuações como Joel e Ellie, protagonistas da história. Mas será que os episódios seguintes mantiveram o mesmo nível?

Como dito, a série começa muito bem, tanto em questão narrativa de um bom produto audiovisual, quanto relacionado a uma adaptação do jogo. Os dois primeiros episódios são os que mais têm um tom de terror presente da série e que nos causam sustos e tensão relacionados aos infectados. A série não atropela os acontecimentos, e desde já vai demonstrando sua pretensão de se tornar uma série dramática, o que nos leva ao terceiro episódio…

O terceiro e sétimo episódios, ‘Long, Long Time’ e ‘Left Behind’, respectivamente, são dois destaques, muito por saírem da linearidade da narrativa e contarem outras histórias. O episódio três foca no relacionamento de Bill (Nick Offerman) e Frank (Murray Bartlett), que são inspirados no jogo mas traz elementos totalmente novos para a série. É nesse episódio que The Last of Us deixa claro que não será uma série de terror, mas uma série dramática, que vai focar no relacionamento das pessoas e o seu desenvolvimento.

O episódio sete segue a mesma linha, mas este é inspirado em uma DLC prequel do jogo principal que mostra a última noite de Ellie e Riley (Storm Reid), também de nome ‘Left Behind’, o episódio é singelo e mostra a sexualidade de Ellie aflorando, ao mesmo tempo em que ela tem que lidar com perdas e as tragédias da vida. É nesse episódio que entendemos os seu medo de se aproximar das pessoas e seu jeito duro de ser.

Entre esses dois episódios seguiram uma sequência de episódios de aventura e drama, de Joel e Ellie precisando lidar com dilemas e percalços do caminho. A série soube trazer bem essas encruzilhadas dos personagens, e apesar de acontecer mais rápido que na produção original, a aproximação dos dois personagens também soou bem natural. A série se coloca no mundo em um lugar político bem estabelecido, contra as forças policiais e do estado violento, ela acredita na força da união, muito explícito no episódio ‘Kin’, e coloca uma chama de esperança no meio do mundo apocalíptico.

Chegando na reta final da série, o show entrega um esplêndido penúltimo episódio. ‘When We Are in Need’ é angustiante e tenso, não pelos “zumbis” ou o apocalipse, mas pela crueldade humana. A série (que bebe do jogo) foca bem na hipocrisia religiosa e nos leva até um líder que chegou às últimas consequências para sobreviver. Se Bella Ramsey já estava perfeita nos 7 episódios anteriores, nesse ela entrega tudo que pode e mostra todo o seu potencial como uma das atrizes mais proeminentes da sua geração. O episódio deixa Pedro Pascal um pouco de lado, mas ainda assim quando ele aprece, esbanja todo o seu carisma em tela.

Se o episódio oito foi perfeito, o episódio final deixou a desejar. A tão esperada conclusão da primeira temporada da série tem um prelúdio interessante mostrando o nascimento de Ellie (que depois é justificado para uma explicação forçada do porque ela é imune), mas depois daí tudo acontece muito rápido que quando você percebe o episódio chegou ao seu fim. Se a série se aproveitou bem das cut scenes do jogo durante a sua temporada, no último episódio ela descartou diálogos que poderiam trazer mais riqueza na narrativa, mas preferiu apostar em uma sequência dramática de assassinatos, que pode até ter funcionado em sentido de impacto, mas deixou um gosto amargo de como tudo foi solucionado tão facilmente.

The Last of Us, apesar de um final abaixo, é uma série que soube aproveitar bem o material fonte e fazer uma ótima série. O show acaba deixando a segunda temporada bem encaminhada, teve uma ótima aceitação da crítica e do público e realmente trouxe uma das melhores adaptações recentes de jogos de video game.

Nota: 4,5/5

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