Lançado em setembro deste ano nos cinemas, “Sorria” é o terror que traz a premissa de maldições inexplicáveis que levam os personagens a loucura. Com direito a muitos jumpscares, uma coisa é certa, o longa dirigido e escrito por Parker Finn teve uma divulgação melhor que sua execução.
No filme conhecemos Dra. Rose Cotter (Sosie Bacon), uma psicóloga que testemunha a morte brutal de uma paciente. A partir do incidente bizarro e traumático no consultório, a doutora começa a viver momentos assustadores que ela não consegue explicar, mas que de alguma forma, se relacionam com a morte que ela presenciou. Em tempo que busca por respostas, o mal desconhecido já está perseguindo-a.

De antemão, é necessário deixar claro que este é um filme de terror inteiramente feito para produzir medo e horror nos espectadores. Não há uma explicação do mal, no entanto há uma lógica. Conforme a narrativa se desenvolve, “Sorria” consegue criar uma certa coerência diante de todas as mortes que aborda em sua história. Ainda assim, não espere nada além disso. Este não é um filme com subtextos muito aparentes, nem um significado grandioso por trás de uma analogia complexa. Ele é puramente um filme de sustos.
E isso pode ser ótimo para quem sentia falta deste gênero. Diante de tantos filmes de terror-críticos, as vezes tudo que o espectador pode precisar é de uma boa farofa, que não requer muito de seu senso crítico.
Ainda assim, isso não é uma desculpa ou “passada de pano” para um filme sem substância alguma. Todos atores, com exceção de Sosie Bacon, são extremamente preguiçosos quanto a sua atuação. Muitas vezes parecendo não fazer questão de estar ali. Alguns atores conseguem se redimir em cenas de jump scares ou plot twists, graças a nova caracterização e efeitos sonoros.

O primeiro ato é puro sabor do terror, surpreende e até choca um pouco enquanto a história se desenrola. Com bons sustos e uma boa apresentação da protagonista, “Sorria” causa uma boa primeira impressão, na medida do possível. No entanto, a história se prolonga por tempo demais em águas mornas, confundindo o espectador enquanto cria a confusão na protagonista. A principio este artificio pode ser um ponto muito positivo, porém aqui só fica cansativo.
Felizmente o longa se recupera em seu terceiro ato, se tornando mais intimista e flertando com o trash. Apesar de ter grandes chances de não agradar o público com a escolha do seu subgênero para encerrar a história, não podemos negar que toda ideia em volta de enfrentar o passado e seus traumas foi de ótimo bom gosto dentro do que já havia sido proposto. Mesmo que apressado, o seu final agrada por ser ousado e com mais plot twists.

“Sorria” não é, definitivamente, o melhor terror de 2022, mas é um dos divertidos! Entretém e ainda presenteia com alguns sustinhos bacanas. Mesmo que seja inevitável esperar mais diante de uma premissa inicial bastante interessante, flertando com uma possível crítica -nunca feita- a instituições mentais e o estigma das doenças, o filme parece ter sido feito apenas para ser visto como algo despretensioso e fútil (no melhor sentido da palavra).
O filme está disponível no NOW.
Nota: 3/5








