Neste mês completa 44 anos do lançamento de um dos filmes (se não for O filme) que abriram as portas do cinema para grandes produções cinematográficas de histórias de super-heróis. Com roteiro de Mario Puzo (o mesmo que criou O Poderoso Chefão), David Newman, Leslie Newman e Robert Benton, e direção de Richard Donner, Superman: O Filme é até hoje tido como um dos maiores clássicos do cinema mainstream.
É importante enxergar Superman: O Filme com um olhar crítico, mas também com um olhar dos aspectos técnicos e contextos da sua época. Se hoje estamos acostumados com super produções e filmes gravados quase todos em CGI, o longa de 1978 utiliza muito bem efeitos práticos para transportar o espectador para o mundo fantasioso de Metrópoles, e claramente o uso do fundo verde ficou bem datado, incomodando o olhar de hoje em poucos momentos. No uso dos poderes do Superman, a única coisa que me incomoda bastante é como o filme ignora totalmente a gravidade quando ele está no ar, o maior exemplo disso é a clássica cena em que o Superman voa com Lois Lane.
Falando em Lois, o filme utiliza muito bem aspectos que estavam em filmes da época, como o romance. O longa transita entre um filme de aventura e um filme de romance, ao mesmo tempo que nos apresenta e explora o Superman, também desenvolve a paixão de Lois pelo herói, e de Clark por Lois, mesmo que esse romance não seja concretizado no filme. Inclusive o filme deixa muito bem claro que não é um obra única e que já se pensava em uma franquia desde a sua concepção.

No quesito de adaptação dos quadrinhos, o filme faz um trabalho decente no geral. Apesar de não aprofundar na família Kent, traz a essência de Marta e John nos seus poucos minutos, a Lois funciona muito bem como uma mulher independente e muito certa sobre si, apesar de ter momentos em que precisa ser salva pelo herói. O que mais deixa a desejar é a construção de Lex Luthor, que caminha na direção de vilão de seriados de comédia, em que ele é um gênio incompreendido e vive a custas de capangas bobos e trapalhões. Ainda que seja uma grande mente do mal, o principal vilão do Superman não consegue impor um grande respeito como nas obras originais.
A direção de Richard Donner é muito bem feita, ele consegue fazer um trabalho com excelência para promover um blockbuster, tanto que continua a dirigir a franquia do kryptoniano e dirige outras grandes obras, como a franquia de Máquina Mortífera e Os Goonies, e voltou a trabalhar com filmes de super-heróis em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. O elenco traz Marlon Brando como Zor-El, que tem o protagonismo nos primeiros 15 minutos de filme. Christopher Reeve foi a escolha perfeita para o papel, e até hoje é marcado como o grande rosto do Superman, ele conseguiu transmitir toda a forma do Superman, ao mesmo tempo a timidez e o jeito desastrado de Clark Kent. Margot Kidder é uma grande Lois Lane, que consegue impor seu papel de mulher forte, e construiu uma química muito boa em cena com o Reeve.
Superman: O Filme é, com certeza, uma importante obra para os filmes de super-heróis, e talvez para o cinema como um todo, além de ser uma revisitação bastante divertida, apesar de seus defeitos. O final de Superman deixa um discurso bem explícito de que ele é amigo da polícia e está ali para ajudá-los, fazendo aparecer que a corporação é perfeita e que os Estados Unidos são amigos de todos. É triste não ver nenhum ator não-branco em cena (apesar de não ser surpreendente). Muitos podem falar que é devido a época em que foi feito, mas é um reflexo, também, da mesma trajetória dos quadrinhos do herói mais poderoso da DC (e de tantos outros heróis de tantas outras editoras).
O filme está disponível na HBO Max.
NOTA: 3,5/5








