Nove anos após o lançamento do primeiro filme — vencedor do Oscar 2017 de Melhor Animação — Zootopia retorna aos cinemas com uma sequência que adota um espírito à la Deadpool, recheada de referências bem-humoradas à cultura pop e a clássicos contemporâneos do cinema. A grande questão, porém, permanece: a continuação consegue superar ou ao menos manter o nível de qualidade do original?
Em Zootopia 2, Judy Hopps e Nick Wilde estão de volta, agora oficialmente como parceiros na polícia. Designados pelo Chefe Bogo para participar do programa de aconselhamento Parceiros em Crise, os dois veem sua rotina mudar quando surge um novo caso envolvendo um recém-chegado à metrópole: o enigmático e venenoso Gary, a cobra. Para desvendar o mistério, a dupla precisa explorar novas regiões da cidade e enfrentar desafios que colocam a parceria à prova como nunca.

A dinâmica do filme se assemelha bastante à do antecessor — para o bem e para o mal. A narrativa opta por repetir o mesmo molde da história original, incluindo povos marginalizados que acabam sendo reconhecidos por essa sociedade ao final. O roteiro também recicla artifícios já conhecidos, como plot twists previsíveis e personagens cuja aparência contrasta com sua verdadeira personalidade.
Por outro lado, desta vez o roteiro se apoia em um fenômeno que cresceu ao longo dos anos: o shipp entre os protagonistas. O filme flerta abertamente com um possível romance, constrói camadas dramáticas e estabelece uma tensão específica entre a coelha e a raposa. Declarações dignas de comédias românticas surgem ao longo da trama, culminando em uma cena pós-créditos que sugere a possível concretização desse relacionamento.

O humor continua sendo um dos pontos fortes de Zootopia 2. Aproveitando o vasto catálogo da Disney, a produção faz piadas e referências a animações do estúdio, como Ratatouille e Aladdin, além de dialogar com filmes nada infantis, como O Iluminado. A cena final, em especial, mistura tensão e comédia de forma inesperada e bastante eficaz.
Ainda assim, é preciso reconhecer: sem o trabalho da dublagem brasileira, Zootopia não seria a mesma experiência. O retorno carismático de Mônica Iozzi como Judy Hopps e Rodrigo Lombardi como Nick Wilde ganha um reforço importante com Danton Mello, que dá voz ao réptil Gary. Com poucas adaptações ao contexto nacional, a direção de dublagem se destaca como um dos grandes acertos da produção, mantendo fidelidade ao material original enquanto constrói uma identidade própria.
No fim das contas, Zootopia 2 não é um filme que expande de forma significativa seu universo, tampouco apresenta grandes novidades. Apesar de introduzir novas espécies e personagens marginalizados, a sensação constante é de déjà-vu. Ainda assim, a história é divertida, as reviravoltas funcionam e o carisma dos protagonistas segue sendo o alicerce da obra. Quem gostou do primeiro, certamente irá gostar do segundo.
Nota: 3,5/5