Após 12 anos da estreia do primeiro filme da franquia, inicialmente planejada por James Wan, Invocação do Mal finalmente chega ao fim nesta quinta-feira, 4 de setembro, nos cinemas de todo o Brasil. Focando na vida pessoal dos Warren e buscando um desfecho digno para a popularidade do casal, o novo filme se distancia dos demais ao trazer dilemas dramáticos familiares como os grandes protagonistas, deixando o sobrenatural em segundo plano.
Invocação do Mal 4: O Último Ritual encerra a franquia de terror trazendo Ed e Lorraine Warren enfrentando entidades misteriosas que colocam suas vidas em risco, em uma batalha final contra forças malignas, enquanto seu vínculo emocional é testado até o limite.

Apesar da péssima recepção do terceiro filme, Michael Chaves retorna à direção do longa. E, desta vez, não decepciona (bem, nem tanto assim). A decisão de deixar o mistério sobrenatural em uma subtrama pode desagradar alguns fãs, mas a execução dessa proposta convence pelo apego afetivo que Vera Farmiga e Patrick Wilson construíram com o público ao longo dos anos. O drama é muito bem vindo nessa tentativa de renovação da franquia, exibe um lado que ainda não havia sido explorado, enquanto eleva o emocional do público para garantir uma boa despedida. Pena que, infelizmente, não se arrisque para tal.
Após quase perder a vida, Ed está em um momento mais calmo de sua carreira. Ele e Lorraine agora recebem um novo membro na família: seu futuro genro, Tony (Ben Hardy), noivo de sua filha. É nesse clima amistoso, com até momentos cômicos, que a leveza da trama se sobressai. Contudo, não pense que o sobrenatural ficou de escanteio: ele aparece regendo o passado e o presente dessa família.

A cena de abertura, focada no nascimento da filha do casal, Judy (Mia Tomlinson), apesar de conter aparições demoníacas, destaca o drama familiar, a conexão de outro mundo entre os três e um milagre diante de seus olhos. Essa cena reflete diretamente nos acontecimentos do caso sobrenatural deste filme, que envolve a família Smurl.
Com pequenos fanservices e aparições de personagens já vistos na franquia, talvez a inspiração mais clara seja a família vítima das assombrações. Com elementos do primeiro filme, Chaves tenta se reaproximar do que vimos e amamos no longa de Wan em 2013. Tanto a estrutura familiar quanto as perseguições fantasmagóricas e os confrontos dos demonologistas remetem facilmente aos primórdios da franquia, levando o espectador a um terreno mais seguro e confortável.

Ainda assim, algumas aparições geradas por CGI causam estranheza na composição do terror, transformando-o em quase uma galhofa. Os momentos em que a maquiagem, o jogo de luz e sombra e até os clássicos jump scares aparecem funcionam muito melhor do que, por exemplo, uma Annabelle gigante.
Outro ponto interessante de mencionar é o desenvolvimento do casal apresentado como imbatível ao longo dos anos. O filme mostra sua decadência, ao realizar um contraste direto com o primeiro filme diante de um paralelo de popularidade em suas palestras. A falta de comunicação com uma nova geração quase reluz em uma auto crítica da franquia que se encerra sem renovar seu público. Mas, como um final profético (e bem novelesco), a produção diz que sabe quando parar, ilustra um futuro perfeito e diz basta aos dias de glória.
Com uma sensação de “passar o bastão”, Invocação do Mal 4: O Último Ritual prepara uma nova geração, apresenta a filha do casal e seu companheiro de um jeito doce e cativante, constrói um drama familiar bem apresentado em um terror sobrenatural mediano. Ao menos, a produção não repetiu os erros do antecessor e, apesar de ser um fast food do cinema, não desagrada no fim.
Nota: 3,3/5