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CRÍTICA | “Senna” nos conquista através da emoção

O ano de 2024 fica marcado pelos 30 anos da morte de um dos maiores ídolos do esporte brasileiro: Ayrton Senna. Entre os lançamentos de diversos documentários e reportagens especiais, a Netflix chega com uma minissérie biográfica ficcional para contar a história do piloto, desde a sua infância até o acidente fatal.

A série, dividida em seis capítulos, foi concebida por Vicente Amorim (A Divisão) e teve um acompanhamento da família de Ayrton na sua execução. Entre polêmicas e momentos emocionantes, Senna traz pontos chaves da carreira do piloto, iniciando na sua infância, ao ganhar o seu primeiro kart do pai. Por ter um tempo limitado, a série precisou abrir mão de alguns outros momentos para contar a história, deixando assim, alguns buracos, principalmente na vida pessoal do campeão da Fórmula 1. Um destes buracos foi o seu relacionamento com a modelo Adriane Galisteu (rapidamente interpretada por Julia Foti), que gerou diversas polêmicas na recepção do público.

Por outro lado, o relacionamento de Ayrton com a apresentadora Xuxa Meneghel foi bem explorado, mostrando as complicações de um namoro entre dois famosos que vivem em turnê, principalmente em um tempo em que não existia internet para facilitar a aproximação. A semelhança em que a atriz Pâmela Tomé ficou da apresentadora, tanto em visual quanto nos trejeitos, realmente impressionou, porém ficou a sensação que a atuação da atriz (aparentemente por escolha da direção) ficou muito mimética, explorando pouco o potencial de Pâmela. Em contrapartida, Gabriel Leone se firma como um dos grandes atores de sua geração, podendo explorar bem o personagem principal e suas camadas de emoções nessa intensa aventura no mundo da corrida.

Quem também se contenta a um papel mimético, e em alguns momentos até um alívio cômico, é Gabriel Louchard com o seu Galvão Bueno. O ator interpreta bem o famoso narrador e jornalista esportivo, mas queríamos ver mais do Galvão amigo de Senna e um pouco menos do Galvão apresentador com seus bordões e exageros. Susana Ribeiro e Marco Ricca dão vida aos pais de Ayrton (ou Beco, como a família o chamava), a mãe um ser mais acalentador e emocional, enquanto o pai vinha como um ser forte e rígido, nos lembrando bem os pais brasileiros do século XX, mas também se emocionando com as conquistas do filho no esporte.

Uma personagem que não funcionou bem foi a jornalista Laura, interpretada por Kaya Scodelario. Criada originalmente para a série, a personagem tinha o intuito de ser um fio condutor e acompanhar toda a carreira de Senna. Porém, além de destoar da narrativa soando artificial, a jornalista também tem diversas variações em relação ao protagonista, em momentos o incentivando e em momentos o criticando, por incorporar momentos com diferentes jornalistas da vida real. A atuação de Scodelario é convincente, porém a atriz britânica de ascendência brasileira não consegue fazer milagre com o roteiro que lhe foi dado.

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Senna tem a missão de contar a história de um personagem que é mais que um atleta, é um mito popular brasileiro. Ayrton conseguiu furar a bolha do público do automobilismo e fazer com que todos os brasileiros assistissem às suas corridas nos domingos. A série remonta bem essa emoção e devoção do povo brasileiro com Senna. E emoção é a coisa que o show mais tenta apelar, com uma trilha sonora excessivamente melodramática e momentos de câmera lenta para causar uma tensão maior em momentos de tristeza e frustração. As cenas das corridas foram muito bem feitas, com efeitos e animações imersivas que atiçam à adrenalina.

É muito provável que boa parte do público finalize Senna com os olhos molhados de lágrimas, a série traz a construção de uma figura que eternamente estará marcada no imaginário do brasileiro. Mesmo com alguns importantes saltos temporais, a série conta muito bem a história de Ayrton Senna piloto, porém deixa a desejar quando trata do Ayrton da Silva fora das pistas, e sinceramente, é a parte que mais estávamos curiosos para ver.

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