Da cineasta Anna Muylaert, responsável por sucessos como Que Horas Ela Volta?, Durval Discos e O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, chega aos cinemas nesta quinta-feira (28) “Clube das Mulheres“, uma sátira a respeito das estruturas de poder que são fortalecidas com a perpetuação do machismo e classismo.
Ambientado em um mundo onde os estereótipos de gêneros são invertidos, em “Clube das Mulheres” mulheres ocupam posições de poder que normalmente são ocupados por homens, e homens cumprem os papeis de serem socialmente submissos. Esse é apenas o começo de uma série de imagens e reflexões propostas ao longo do filme.

Com um elenco repleto de estrelas, como Cristina Pereira, Louise Cardoso, Irene Ravache, Katiuscia Canoro, Grace Gianoukas , Shirley Cruz, Polly Marinho, Helena Albergaria e Itala Nandi, o longa insere nas mulheres personas conhecidas em nossa sociedade atual, que na verdade são desempenhadas por homens. Do político-religioso, ao empresário assediador e do armamentista sem noção, as mulheres acabam ocupando esses espaços predominante masculinos sem qualquer tipo de adaptação ao gênero de forma criativa.
O roteiro de Anna Muylaert por mais que tenha algumas tiradas inteligentes, principalmente em seu humor, carece de ousadia e irreverência ao criar este mundo fictício. A sorte dela é que o elenco escolhido a dedo consegue elevar o seu texto além do esperado. Katiuscia Canoro é uma das grandes estrelas do longa, todo seu tempo de tela é muito bem aproveitado, com um timing inacreditável para ao humor que somente sua expertise na comédia poderia fornecer.

Apesar do lapso criativo mencionado, uma coisa que Clube das Mulheres traz de interessante é o apelo ao surreal e brutal, todos eventos que se desenrolam é tão absurdo e visualmente perturbador (de assédios a ataque de onças) que o choque causado pela direção de Muylaert nos leva a questionar a manutenção geracional de poder que acontece em nossa sociedade. A cereja no topo do bolo é definitivamente o surgimento das onças, que aparecem de modo que a história escalona ao seu maior (e melhor) ápice da loucura.
Clube das Mulheres não é o melhor trabalho de Anna Muylaert, mas também não é o pior. O bizarro das atitudes humanas que explorou em 2002 com Durval Discos, retorna de forma mais atualizada e crítica a personalidades conhecidas nacionalmente. Assumindo uma postura mais descontraída, os melhores momentos do filme é quando ele não se leva a sério, perdendo a atenção do espectador justamente com o elenco masculino que se torna o pilar “racional” da obra.
Nota: 3/5