CRÍTICA | “É Assim Que Acaba” não é apenas uma boa adaptação, e sim um ótimo filme

Alerta de gatilho: Este filme aborda violência doméstica.

Após atingir a marca do livro mais vendido de 2023, com mais de um milhão de exemplares vendidos no Brasil, “É Assim Que Acaba” de  Colleen Hoover ganha uma adaptação cinematográfica estrelada por Blake Lively e Justin Baldoni que ensina como se deve fazer uma adaptação, respeitando a história de origem ao tempo em que acrescenta mudanças necessárias para o novo formato.

No filme, Lily Bloom (Lively) se muda para Boston para viver seu sonho de abrir uma floricultura. Ela logo se apaixona pelo neurocirurgião Ryle Kincaid (Baldoni), mas o romance que começou com flores vai trazer traumas antigos que desafiarão Lily a encontrar a sua própria força interior. O reaparecimento de Atlas Corrigan (Brandon Sklenar), um amor de infância, pode virar sua vida de cabeça para baixo, e ela terá que seguir seu coração e lutar contra os pesadelos que assombram seu passado.

It Ends with Us (2024) - Photos - IMDb

Com um pouco mais de 2 horas de duração, “É Assim Que Acaba” traz o alívio para o fã aflito da obra literária. Ainda que tenha mudanças significativas quanto a idade dos protagonistas e outras em relação ao tempo de tela de Atlas, o filme dá uma aula de como converter uma história literária para um texto de cinema. Com roteiro de Christy Hall, o filme transmite todas as nuances do relacionamento entre Lily e Ryle, principalmente de como a história vai para além do seu romance e sim da descoberta pessoal de Lily e sua reconciliação com o passado.

Uma coisa é inegável, Blake Lively nasceu para ser Lily Bloom. A atriz superou toda as críticas em relação a sua idade (e até o seu figurino) e mostrou que entendeu a essência da personagem de Hoover. Assim, em “É Assim Que Acaba” conseguimos observar o despertar de uma mulher carregada por cicatrizes do passado, atormentada por uma vida que não permite ter, enquanto exala ingenuidade, carisma e braveza. Assistir Blake Lively neste papel é como ler novamente o livro.

It Ends with Us' Movie: Release Date, Cast, Plot and News

Além de protagonizar o longa ao lado de Lively, Justin Baldoni dirige e e produz a produção. Logo, seria impossível não gastar um parágrafo dedicado ao ator. Baldoni demonstra uma aptidão invejável de contar a história de forma linear e fluida, dando tempo ao tempo aos seus personagens, desenvolvendo suas motivações e aflições e criando uma elo com o público. Como no livro, Baldoni consegue criar um Ryle charmoso e irresistível, capaz de colocar em nós aquela pulguinha atrás da orelha. Com a dualidade de um homem mestre em manipulação emocional, é louvável as mudanças que Justin realiza em questão de takes através de Ryle, deixando toda confusão em seu relacionamento com Lily mais visível e consequentemente mais intenso – seja para o romance e para a dor.

Ademais, vale ressaltar que, talvez, o único defeito significativo de “É Assim Que Acaba” é a presença de Atlas na história. Quando Brandon Sklenar surge pela primeira vez ele rouba a cena de forma imponente e com uma presença impossível de ser ignorada. Contudo, sua participação na história é reduzida a pequenas e pontuais aparições quando surge a necessidade de um porto seguro para Lily. É compreensível que quando um livro ganha uma adaptação muitas coisas acabam ficando de fora por inúmeras razões, seja tempo, orçamento ou incompatibilidade com o formato. Porém no arco narrativo de Atlas não vejo que ele se encaixe nesses cenários ditos. Aqui vejo que houve má distribuição dentro dos arcos narrativos apresentados e explorados em tela.

Lily e Atlas em É Assim que Acaba - Divulgação/Sony Pictures

Uma das grandes surpresas positiva de “É Assim Que Acaba” é a relação com o passado de Lily e Atlas. Interpretados por Isabela Ferrer e Alex Neustaedter, a dupla supera as limitações de tempo de tela e mostram toda dinâmica, intimidade e cumplicidade de maneira eficiente e didática.

Quanto aos demais personagens, como o casal Alyssa e Marshall, vividos respectivamente por Jenny Slate e Hasan Minhaj, ou os pais de Lily, vividos por Kevin McKidd e Amy Morton, não pegam o holofote para si mas acrescentam de forma positiva à trama principal, servindo como ferramentas narrativas para apoiar o desenvolvimento dramático da protagonista.

Com uma bela direção de fotografia, que opta por um estilo mais íntimo e por vezes sensual, “É Assim Que Acaba” chega nos cinemas com a promessa de conquistar os leitores e não leitores de Colleen Hoover, se não for pela alegria de uma boa adaptação, vai ser pela euforia de assistir uma produção bem feita, bonita e, principalmente, cuidadosa com o tema que aborda.

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