Oficialmente entrando no universo compartilhado da Marvel da Disney, Ryan Reynolds convida Hugh Jackman a vestir novamente o manto de Wolverine para entregar uma despedida a Fox, em um funeral cheio de convidados surpreendentes e inesperados em “Deadpool & Wolverine“.
Neste terceiro filme, encontramos um apático Wade Wilson (Reynolds) que trabalha duro na vida civil. Seus dias como mercenário moralmente flexível, Deadpool, ficou para trás. Quando seu planeta enfrenta uma ameaça, Wade deve voltar a usar o seu universo e convencer um relutante Wolverine a ajudá-lo.

Tomando a liberdade que o universo de Deadpool oferece em quebrar a 4ª parede e trazer todo universo fictício dos heróis e também da realidade para dentro das telas, Shawn Levy constrói uma despedida dos heróis da Fox em um único filme. Apelando ao saudosismo e a nostalgia, o diretor ao lado de Rhett Reese elabora um roteiro com uma trajetória genérica e básica, mas enfeitada com apetrechos (cameos) para agradar o nerd que sente falta dos longínquos dias de glória.
Contudo, uma coisa é certo, o fã de Deadpool vai sair aliviado e feliz do cinema, já que tudo que ele espera está ali. O humor afiado e pontual, trazendo assuntos relacionados a cultura pop, as inúmeras aparições especiais que reafirmam o conceito de multiverso, os combates sangrentos e brutais… Levy traz tudo do que já vimos nos dois outros filmes novamente. E é por esse exato motivo que o filme também pode desagradar. Quem espera algum tipo de amadurecimento, um roteiro que não tivesse desesperado para inserir o máximo de personagens e atores de Hollywood possível… bem, vai sair frustrado da sessão.

Uma coisa que Deadpool & Wolverine sabe fazer de melhor é entregar um Logan interessante de ser assistido. Apesar de já termos visto uma versão amargurada e cheio de remorsos do personagem, há algo na relação dos protagonistas que acrescenta uma dose dramática conveniente para a trama. Se ao menos ele tivesse mais um espaço, principalmente em sua interação com a Laura (Dafne Keen), a produção ganharia a relevância que o filme precisava ter para além dos fan services.
Além disso, vale mencionar que o que deixa a desejar, para além do roteiro que parece uma colcha de retalho de piadas batidas e repetitivas, é a edição do longa. Seja no tratamento de imagem, que é ineficaz em trabalhar com CGI e causa desconforto visual, demonstrando a mediocridade já conhecida da estúdios da Marvel na pós produção de seus filmes, além da montagem, que inicialmente já mostra não ser o forte do filme, não apresenta uma concordância linear e peca da coesão em seu produto final.

Ainda assim, preciso pontuar que Ryan Reynolds sabe entregar o que é necessário para divertir o público por 2 horas. O ator construiu um legado com um personagem que ninguém achou que um dia conquistaria tal honra. Ele sabe o que sua audiência quer e entrega isso, entende que o fã da Marvel quer viver o passado a qualquer custo, e por isso protagoniza uma história que dá adeus aos personagens que, como ele, foram deixados de lado – até então. E, mesmo sendo piegas, apelando pelo sentimentalismo, ele prova que pela terceira vez vai garantir que o mundo fale sobre ele por meses a fio.
Deadpool & Wolverine é um filme feito para o fã nostálgico, ele não se preocupa em criar uma história inédita e nem em ser um produto final que se destaque entre os lançamentos da Marvel. Este filme, além de uma carta de despedida e homenagem, também é a reafirmação do “estilo Deadpool” de ser no cinema: divertido, raso e com surpresas f*d@s para c#r*lh%.
Nota: 3/5