Baseado na animação de sucesso da Nickelodeon de mesmo nome, estreou em fevereiro o original Netflix “Avatar: O Último Mestre do Ar”.
A animação, que conta as aventuras de Aang e seu grupo em busca de treinamento para que o Avatar seja capaz de controlar os quatro elementos e enfrentar a nação do fogo, em busca de paz entre as 4 nações e encerrar a guerra, conquistou milhares de expectadores garantindo uma sequência (A lenda de Korra – 2012) e um filme live action (O Último Mestre do Ar – 2010).
O filme não foi muito bem recebido pela critica e menos ainda pelos fãs da animação, então a Netflix veio com a promessa de consertar estes erros. Começando pelo maior erro do filme, a gigante do streaming fez questão de escalar atores de descendência asiática e indígena, trazendo mais fidelidade aos personagens.

A série inicia de forma diferente da animação, onde nos primeiros minutos do live action nos deparamos com a nação do fogo iniciando a guerra e o Aang nos seus últimos dias no templo do ar.
Uma qualidade inicial para se pontuar em “Avatar: O Último Mestre do Ar” foi como eles souberam adaptar a animação para os fãs de longa data, sabendo que os primeiros passos do time avatar no início da jornada não foi de brincar e sair em busca de aventuras, e sim procurar os templos dos avatares anteriores em busca de orientação.
Com algumas mudanças em relação ao material original, a série faz uma mistura do Livro 1 com o início do Livro 2 da animação. Com isso, alguns elementos são passados com pressa ou trocados para melhor adaptar para uma nova plataforma em apenas 8 episódios.

“Avatar: O Último Mestre do Ar” mostrou esse amadurecimento sem perder a essência do garoto de 12 anos, do pequeno avatar. Essência essa que o ator Gordon Cormier soube trazer com excelência. Após assistir 26 vezes a série animada, o jovem ator se mostrou preparado para o papel e nos apresentou um Aang divertido, dedicado e atormentado por suas responsabilidades. Assim como o ator Dallas Liu, que nos trouxe um Zuko profundo, machucado e complexo como vimos na animação. As motivações do Zuko permanecem as mesmas, apesar de não ouvirmos a palavra “Honra”.
Em contrapartida, os atores de Sokka e Katara, Ian Ousley e Kiawentiio respectivamente, patinam para convencer em seus personagens. Kiawentiio, apesar da boa atuação, pode ter sido prejudicada pelo roteiro, apresentando uma Katara menos explosiva e morna. Enquanto Ian Ousley mostra pouco carisma para o papel, perdendo características importantes para o personagem devido escolhas questionáveis do roteiro. O apagamento de seu machismo, que é algo relevante para o seu desenvolvimento, nos faz pensar que todas as piadas com a deficiência da Toph também serão apagadas numa possível segunda temporada.

A série vem com uma grande responsabilidade de apagar os erros anteriores e adaptar uma animação infantil que carrega excelência e nostalgia. O criador da série, Albert Kim, soube exatamente quem é seu público-alvo, com a noção de que os fãs de Avatar estão 20 anos mais velhos. Assim, fica claro como ele soube substituir com sabedoria a parte mais infantil da animação ao tempo que ela não perdeu a sua essência, nos dando um aprofundamento no drama e no visual da série.
Apesar da preocupação gerada com a saída dos criadores da animação da produção, “Avatar: O Último Mestre do Ar” é um sucesso e os fãs saíram ganhando, já que com sua retirada foi criado o Avatar Studios, que irá focar na criação de novas produções do universo Avatar, como novos filmes de animação. Assim, podemos esperar em breve um filme 12 anos após o fim da guerra (previsto para 2025), um com o Zuko como protagonista (para 2026) e por ultimo um protagonizado pelo próximo avatar, com estreia para 2027.
Nota: 4,4/5