Começando o ano com pé direito, Marry My Husband, que chegou no Brasil como A Esposa do Meu Marido no Prime Video, estreou no primeiro dia de 2024 gerando grandes expectativas nos fãs graças a mudança radical e comprometimento de Park Min-Young ao estrelar este drama de vingança. Mas, será que as expectativas dos fãs foram atendidas ao fim?
Neste k-drama de 16 episódios conhecemos Kang Ji-Won (Park Min-Young), uma mulher frágil e vulnerável que sofre diferentes tipos de abuso, seja em casa ou no ambiente de trabalho. Sua vida vira de cabeça para baixo quando flagra seu marido Park Min-Hwan (Lee Yi-Kyung)a traindo com sua melhor amiga Jeong Su-Min (Song Ha-Yoon) enquanto ela estava internada para tratar seu câncer. A partir deste momento, Ji-Won ganha uma segunda chance e volta 10 anos atrás. Agora, ela deve fazer tudo diferente para não ser vítima do mesmo destino trágico.

A principio preciso ressaltar os possíveis gatilhos que este drama pode gerar. Marry My Husband é um drama que aborda violência doméstica em diferentes formas, seja em agressões físicas, verbais, psicológicas ou até mesmo no vislumbre que nos dá de um abuso sexual. Então, se você acha que esta história vai ter um tom mais leve e até cômico como Perfect Marriage Revenge, você vai se assustar, porque apesar de compartilharem uma premissa similar os dois se distanciam muito em suas execuções.
Assim, preciso assumir que os dez primeiros episódios de Marry My Husband foram um espetáculo em sensibilidade e cuidado ao retratar uma história tão densa. Park Min-Young é uma protagonista única e seu par romântico vivido por Na In-Woo é encantador e apaixonante. O casal vive um romance regado por lealdade e admiração mútua. Enquanto isso, sua antagonista vivida por Song Ha-Yoon é uma das melhores vilãs que a coreia do sul já fez em suas produções televisivas. A relação de co-dependência entre as duas, a obsessão, o jogo duplo e o inesperado são executados de modo sublime, fazendo da história algo memorável.

Contudo, tudo isso muda a partir do décimo segundo episódio. A história toma um rumo que contradiz a evolução e desenvolvimento da protagonista e se perde com a adição de uma nova personagem que não contribui efetivamente com nada na trama. Este fator causa um incomodo perceptível em quem assiste pela mudança brusca e sem sentido, bem como a sensação de ausência que o antagonismo de Su-Min executava com louvor.
Esta mudança brusca também afeta o elenco secundário, que, até então, estava sendo extraordinário em paralelo a história principal. Unindo drama e comédia, os personagens do núcleo do escritório eram o alívio que precisávamos de toda intensidade da trama de vingança principal. Todavia, a maioria é ignorada na reta final, a atriz Choi Gyu-Ri, que foi uma das grandes queridinhas durante a exibição do k-drama, foi totalmente jogada de escanteio por uns três episódios, mal aparecendo na história.

A verdade é que Marry My Husband carregava uma grande responsabilidade de agradar o público por diferentes razões. Este foi o primeiro drama de Park Min-Young após uma série de polêmicas em sua vida pessoal, o k-drama adapta uma webtoon muito popular internacionalmente, e a produção foi uma aposta internacional muito forte pela Prime Video após seu lançamento de sucesso com Jogo da Morte. Assim, é fácil entender o porquê todos os olhos estavam focados no drama e porque a decepção na reta final foi tão grande.
Ainda assim, não posso negar que Marry My Husband fornece um entretenimento de qualidade para quem gosta de dramas de vingança. Porque além dessa trama, ele consegue destrinchar uma história de evolução pessoal, de amadurecimento e amor próprio. É bonito ver alguém que sempre foi colocada na posição de vítima ser capaz de reescrever sua história do modo como bem entender. E é claro, tem o bom e velho romance de dramas que vão fazer a dorameira suspirar com o final digno de novela das 9.
Nota: 3,8/5
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