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CRÍTICA | “Garra de Ferro” demonstra como uma direção questionável pode estragar um excelente roteiro

Garra de Ferro, The Iron Claw no original, é o mais novo filme do ex galã teen Zac Efron. O ator, inclusive, entrega, neste filme, aquele que talvez seja o melhor trabalho da sua carreira até o momento. No entanto, no meio de um excelente roteiro, uma grandiosa história e belas atuações, a indelicadeza do diretor Sean Durkin destaca-se por uma maneira ruim.

Falando das coisas boas, Garra de Ferro conta a história da famosa família Von Erich, que é lendária no meio da luta-livre estadunidense. Isso porque, desde o pai da família até os quatro filhos, todos foram lutadores da modalidade, alguns com maior destaque e outros com menos. Ao longo de pouco mais de 2h, Durkin dedica-se em contar essa rica história.

The Iron Claw (2023) - Photo Gallery - IMDb

Cada membro da família com sua particularidade à parte, todos são personagens interessantes e demonstram como as suas vidas foram afetadas, direta ou indiretamente, pela luta livre e pelo patriarca da família, vivido pelo ator Holt McCallany. Os atores que interpretaram os filhos entregaram bem os seus papéis, fazendo com que o público se conectasse a cada um deles.

Com maior tempo de tela, o personagem vivido por Efron tem um destaque e uma empatia maior por parte dos espectadores. O astro de High School Musical convence e emociona com a sua brilhante atuação durante todo o filme. O ator conseguiu sair-se bem em todas as cenas nas quais foi exigido, tanto de comédia, drama ou romance. Uma grata surpresa ver a evolução do artista.

Não seria absurdo dizer, inclusive, que Zac Efron poderia ter sido indicado ao Oscar de melhor ator. O protagonista, de fato, se destaca. No entanto, acredito que a sua brilhante atuação tenha sido ofuscada pela instável e discutível direção de Durkin.

The Iron Claw (2023) - Photo Gallery - IMDb

Se por um lado o diretor evoluiu bem a história e o roteiro, cadenciando bem os momentos, dando intensidade em algumas cenas, por outro ele pecou por uma possível prepotência em querer tornar algumas cenas grandiosas demais. No entanto, queria que esse tivesse sido o principal erro do responsável pelo filme.

Para finalizar essa parte de crítica positiva, a disfuncionalidade da família Von Erich é trabalhado com excelência. Se, por um lado, a mãe poderia ser vista como omissa (o que seria normal na época em que a história acontece), o pai é quase que a raiz de todos os problemas que os filhos enfrentam na fase adulta. Abusivo, Fritz Von Erich deposita em seus filhos todos os seus sonhos e esperanças, fazendo com que os garotos “vivam a vida que ele queria”. Obviamente, isso trouxe consequências em termos de saúde mental.

Alerta de gatilho e spoilers: o tema suicídio será abordado após a imagem para falar sobre os erros e indelicadezas do diretor.

Zac Efron, Jeremy Allen White look very '80s in 'Iron Claw" - Los Angeles  Times

Infelizmente, alguns fatos marcam a história da família Von Erich, sendo, o principal, a perda de três filhos adultos/jovens adultos (além da primeira morte do primogênito, mas que é apenas citado no longa). Ao abordar esse tema, Durkin erra de forma bisonha, quase proporcionando uma rememoração da péssima série 13 Reasons Why.

Das três mortes ocorridas, duas foram por suicídio, enquanto uma foi por descuido com a saúde física enquanto o personagem tentava viver o sonho de seu pai. Até aí, nenhum problema em termos de direção, mas a forma com que isso é apresentado no filme que é o problema.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta, em diferentes materiais, a forma correta de se noticiar e/ou apresentar casos de suicídio. Durkin, por sua vez, parece desconhecer e/ou preferir ignorar as suas orientações.

Isso porque, a OMS sugere que, por exemplo, não sejam publicadas cartas de pessoas que cometeram suicídio. Já Durkin acha uma boa ideia apresentar as cartas dos dois casos ocorridos ao longo do filme. Ademais, a OMS também aconselha que o método utilizado não seja tão gráfico. Por outro lado, se o diretor acertou em não mostrar um dos casos, errou bisonhamente em mostrar o outro.

Por fim, a OMS também orienta que não haja uma glorificação/glamourização do suicídio. Bem, eu acho que demonstrar um personagem, que perdeu a perna, com a perna recuperada e reencontrando os seus irmãos no pós-vida (tanto o que atentou contra a própria vida quanto o que morreu por falta de cuidados médicos), com todos felizes, sorridentes e se abraçando não é a melhor forma de não glamourizar os casos.

The Iron Claw | Film Streams

Para concluir, Garra de Ferro é um filme excelente, que conta a história da família Von Erich e mereceria todo o reconhecimento pelo fantástico trabalho apresentado ao longo de mais de 2h. No entanto, para mim, a produção perde muito em qualidade por causa de escolhas duvidosas e discutíveis do seu diretor.

O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 07 de março.

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