Em 2015 e 2016 o mundo foi aterrorizado pelo “jogo virtual” Baleia Azul, no qual vários jovens e até crianças eram manipulados a se exporem, se mutilarem e até tirarem a própria vida. Baseado nesses acontecimentos Anna Zaytseva escreveu e dirigiu O Jogo da Morte (#Blue_Whale), que chega nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 22 de fevereiro. O filme russo tem o intuito de denunciar o jogo ao mesmo tempo que cria um mistério em torno dele.
Na trama, Dana (Anna Potebnya) tenta descobrir a verdade por trás do suicídio de sua irmã, enquanto corre sérios riscos de se tornar a próxima vítima do jogo macabro. O Jogo da Morte adota o mesmo estilo fílmico de sucessos como Buscando… (2018), Host (2020) e Desaparecida (2023), em que todo o filme se passa através de telas de computadores e celulares.
A ideia inicial do terror é interessante, percebermos que a diretora e as roteiristas tem o intuito de denunciar a nocividade da internet, principalmente quando adolescentes fazem uso irrestrito dela. Porém o filme também se apresenta irresponsável ao mostrar de maneira crua suicídios e automutilações, principalmente pensando que ele pode chegar a um público suscetível a cometer esses atos.

Além de tentar ser um denunciante e acabar se tornando um possível disparador de gatilhos, O Jogo da Morte tenta ser várias outras coisas, mas falha. O filme tem como premissa ser um terror misterioso, ele abre mão de jumpscares para focar em algo mais psicológico e deixar o espectador tenso, porém ele abusa do clichê da adolescente inconsequente para que a protagonista tome péssimas decisões, que só deixa o espectador com raiva dela, além de escancarar pistas dos seus principais plots, não cursando tantas surpresas nas revelações.
O filme também tenta fazer parte do universo virtual sendo um screenlife film, porém a fotografia peca nas angulações de câmera que são irreais de alguém segurar um celular ou um computador daquela maneira, que tira o espectador dessa imersão e só acrescenta defeitos ao longa. A pós-produção também não ajudou muito a engrandecer o filme, adicionando alguns efeitos ruins que parecem com aqueles templates prontos que encontramos em editores de vídeo mais simples.
Além de tudo a produção parece deslocada do tempo, o auge do desafio da Baleia Azul aconteceu em 2016, já se encontrava esquecido em 2021, quando o filme foi lançado na Rússia, e é muito menos lembrado em 2024. Obviamente ele pode ter gerado uma cicatriz maior no país europeu, que foi onde se originou o “jogo”, porém causa pouco impacto comparado ao que se propõe a ser.

O Jogo da Morte é a prova de que ideias boas podem gerar obras ruins. Anna Zaytseva perde a mão na condução do filme e mais ainda na sua proposta de crítica. As atuações não são ruins, apesar de parecerem estar em uma série de drama adolescente, os atores se esforçam nas suas interpretações e em vários momentos vemos sentimentos genuínos, porém não salva a fraca peça cinematográfica que #Blue_Whale apresenta na tela.
NOTA: 1/5