Para todos aqueles que gostam de filmes japoneses, o Studio Ghibli é quase como uma divindade. Um dos grandes responsáveis por isso é o mundialmente reconhecido diretor Hayao Miyazaki, que, mais uma vez, apresenta um trabalho extraordinário com a produção O Menino e a Garça. Não me surpreenderia se este mais novo trabalho fosse o último longa da carreira do fantástico diretor.
Isso porque, O Menino e a Garça apresenta, ao longo de duas horas de duração, diferentes elementos e características já vistas em outros filmes do Studio Ghibli. Para os fãs do estúdio, é impossível não lembrar de produções como O Túmulo dos Vagalumes (1988), Meu Amigo Totoro(1988), O Castelo Animado (2004), Vidas ao Vento (2013), o ganhador do Oscar de melhor animação A Viagem de Chihiro (2001), entre outros. Tudo isso somado, relembrando o fato do diretor já ter 83 anos, fazem-me acreditar que essa produção pode ter sido o trabalho final de Miyazaki.

Mais uma vez, o Studio Ghibli viaja no tempo, diretamente para o período da Segunda Guerra Mundial, para contar uma história extraordinária na busca pelo fantástico. Mahito, o protagonista de 12 anos, perde a sua mãe logo na primeira cena da produção. Dessa forma, Mahito e seu pai, Shoichi, vão morar com Natsuko. A personagem era tia de Mahito, irmã de sua mãe, mas que envolve-se amorosamente com Shoichi após a morte da irmã e engravida.
Com isso, a história de Mahito começa a desenvolver-se desta forma: o trauma pela perda da mãe, a mudança para uma nova cidade, rever a sua tia – agora madrasta -, receber a notícia de que terá um irmãozinho e a adaptação em uma nova vida, em uma nova escola, com novos elementos ao seu redor.

Miyazaki utiliza este roteiro, inspirado no livro, de 1937, How Do You Live, de Genzaburo Yoshino, para brincar com o equilíbrio da vida – o início, o meio e o fim – e a subjetividade do tempo e espaço. Aproveitando todos os artifícios que tornaram o Studio Ghibli mundialmente conhecido, o diretor usa o fantástico, o imaginário e o extraordinário para apresentar uma história completa e recheada de emoções.
Não há como descrever o longa em poucas palavras. É uma produção abstrata, usando um mundo desconhecido de forma subjetiva, para falar sobre a vida. Não apenas a existência de uma criança, mas o existencialismo como um todo. A forma como o diretor brinca – acredito que essa seja a melhor palavra para definir – com o tempo é grandiosa. Lembrou-me a famosa frase da série Dark: o fim é o começo e o começo é o fim (quase que o conceito de Ouroboros, da mitologia nórdica).

No entanto, o que dá para garantir é: O Menino e a Garça entretém, diverte e funciona. Faz rir e deixa o espectador reflexivo em determinados momentos. Apresenta tudo e muito mais com a utilização de um mundo extraordinário, que só existe nas telas do Ghibli e na genial mente de Miyazaki. A minha torcida, e crença, é de que venha mais um Oscar de Melhor Animação para o Japão, o segundo da história, para coroar a brilhante história de Hayao Miyazaki como diretor.
O filme estreia nesta quinta-feira, dia 22 de fevereiro, nos cinemas brasileiros.
Nota: 5/5
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Bem, você acertou, já que O Menino e a Garça levaram o Óscar XD