Após 38 anos do sucesso de Steven Spielberg, o clássico da literatura “A Cor Púrpura” ganhou uma nova versão, desta vez inspirada no musical da Broadway. Com a direção de Blitz Bazawule, que trabalhou anteriormente em outro musical, Black is King da Beyoncé, o clássico ganha uma remodelação, com performances musicais excelentes mas deixando a desejar, ao menos um pouco, no quesito drama.
No filme acompanhamos a história de Celie (Phylicia Pearl Mpasi / Fantasia Barrino), uma mulher afro-americana que vive no sul dos Estados Unidos no começo do século XX. Ela tenta superar os traumas deixados pelo abusos do pai e do marido ao longo dos anos e, para isso, contará com o apoio e a força de um grupo de mulheres que constrói uma irmandade.

Com 2 horas e 21 minutos de duração, “A Cor Púrpura“ mantém a mesma linha narrativa apresentada no clássico dos anos 80, não alterando a ordem dos eventos nem apresentando muitas novidades a respeito da história em si. Contudo, como a comparação com as duas obras acaba sendo inevitável, alguns dramas pontuais não são bem dirigidos e acabam perdendo a intensidade que havíamos presenciado na versão anterior. Ainda assim, vale ressaltar que, a história continua intensa, comovente e avassaladora, mas de um jeito novo.
O ponto mais alto da produção é, sem dúvida alguma, as performances musicais. Tanto a produção musical, como as performances com coreografias extravagantes, figurinos impecáveis e vocais surpreendes… absolutamente tudo que envolvia este aspecto da obra detinha de uma grandiosidade impressionante, mostrando a todos como transformar um clássico em musical de maneira esplendorosa. Assim, cada faixa é extremamente essencial para a construção da narrativa, contribuindo para a expansão do arco dramático individual e o desenvolvimento da trama principal.

O elenco de “A Cor Púrpura” também não fica para trás. Os maiores destaques para mim foram Phylicia Pearl Mpasi, como a versão mais jovem de Celine, Halle, como a versão mais jovem de Nettie, Danielle Brooks, como Sofia, Taraji P. Henson, como Shug Avery, e, por fim, Colman Domingo, como Mister. Todos citados, sem exceção, contribuíram para a densidade cruel e humana que a história exigia.
“A Cor Púrpura“ é uma história difícil de consumir, não importa qual versão, literária/cinematográfica/teatral, todas as suas narrativas não medem esforços para escrachar a dor de uma mulher preta que é vítima de abusos em todos os lados de sua vida, bem como todos os personagens que a cercam. Lidando com racismo, violência doméstica e abusos (sexuais e mentais), a nova versão é definitivamente um musical excelente, mas sua direção apressada de Bazawule faz alguns momentos marcantes passarem sem a mesma intensidade que observamos na versão de Spielberg. É quase como essa versão focasse mais nas performances musicais e como elas conversariam com a trama, do que alguns momentos que não precisavam desta ferramenta.
O filme estreia nesta quinta-feira, dia 8 de fevereiro, nos cinemas.
Nota: 4/5








