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CRÍTICA | “Pobres Criaturas” abraça a fantasia para criar uma obra espetacular e imperdível

Contando com o apoio da fantasia e da ficção científica, Yórgos Lánthimos conta uma história repleta de simbolismos e analogias em seu mais novo lançamento no cinema, “Pobres Criaturas“, estrelado por Emma Stone, Mark Ruffalo, Willem Dafoe e grande elenco.

Usando o livro homônimo de Alasdair Grey como base, além de referências ao clássico Frankenstein, “Pobres Criaturas” é ambientado na Era Vitoriana e acompanha Bella Baxter (Stone), trazida de volta à vida após seu cérebro ser substituído pelo do filho que ainda não nasceu. O experimento é realizado pelo doutor Godwin Baxter (Dafoe), um cientista brilhante, porém nada ortodoxo.

Poor Things' Trailer: Emma Stone Brought Back to Life by Willem Dafoe

Durante as 2 horas e 21 minutos de filme acompanhamos a evolução e progresso de Bella, tanto na sua sociabilidade como em seus próprios conceitos, pensamentos, desejos, vontades e reflexões sobre a vida e as relações com o mundo. É claro que, para consumir este filme é necessário um certo nível de descrença. Lánthimos utiliza da fantasia como sua maior aliada e faz funcionar. Caso você mergulhe na excentricidade extravagante do mundo que ele cria ao redor de Bella, você irá no mínimo se divertir com a personalidade irreverente e surpreendente da protagonista.

Um dos pontos mais positivos da produção é como a criação do mundo fantasioso, a fotografia de Robbie Ryan, conversa diretamente com o amadurecimento de Bella, bem como seu figurino. O desconhecido é apresentado de forma mais simplória e “real”, quase como se escondesse um segredo, enquanto a liberdade (criativa e sexual) esbanja cores vibrantes e descobertas criativas ao seu redor. Isso se revela através de suas roupas também, quando a personagem vai dos frufrus e grandes babados a um visual minimalista e sóbrio quando conquista a sua maturidade intelectual diante de suas novas descobertas da realidade em que está situada.

You Have to Go Beyond Your Limitations': Breaking Down the Craft of 'Poor  Things' (Exclusive) | A.frame

Acompanhado deste aspecto mais técnico está o ótimo desempenho do elenco, principalmente da performance excelente de Emma Stone, que esbanja seu talento e carisma em um dos melhores trabalhos de sua carreira. Não é à toa que a atriz conquistou com este papel um Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar como Melhor Atriz.

Stone transita em diferentes facetas de uma mesma mulher, não se inibe em sua sexualidade, nem se restringe ou se diminui com o humor único da trama. Bella tem de tudo para se tornar uma personagem caricata (no sentido negativo da palavra), contudo Emma impede que isso aconteça. A direção de Yórgos contribui para tal façanha, quando ele escolhe construir sua história diante da perspectiva de descoberta de sua personagem, assim, até mesmo nas cenas de sexo, não encontramos objetificação de seu corpo, e sim a exaltação do poder ou a crítica ao controle.

Inside the Surreal Universe of 'Poor Things' | Architectural Digest

A verdade é que “Pobres Criaturas” é do tipo de filme que instiga o debate entre os que assistem logo após o início dos créditos finais. Não só o feminismo entra em debate, mas a humanidade em si (ou a falta dela). Como o controle habita no desconhecimento e na ignorância, como o conhecimento assusta e liberta, dentre outros questionamentos que irão pairar sob a sua mente ao fim do longa.

Por isso, não me assusta saber que a obra conquistou 11 indicações ao Oscar 2024.Pobres Criaturas” é único e criativo em uma narrativa remodelada aos dias atuais que definitivamente merece seu ingresso. O filme estreia nesta quinta-feira, dia 01º de fevereiro, nos cinemas brasileiros.

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