CRÍTICA | O inusitado ‘Bizarros Peixes das Fossas Abissais’

Essa semana estreia em circuito comercial a animação brasileira ‘Bizarros Peixes das Fossas Abissais’. O filme já circulou por diversos festivais tem roteiro, direção e animação do premiado Marcelo Fabri Marão (Eu queria ser um monstro; O Último Engolervilha II), e conta com as vozes de Guilherme Briggs, Natália Lage e Rodrigo Santoro. Também assinam a animação Rosaria e Fernando Miller.

Bizarros Peixes das Fossas Abissais não segue uma narrativa clássica, tem uma pegada experimental, apesar de mostrar uma condução clara do caminho dos seus personagens. O filme retrata o caos do urbano seguindo uma mulher com esdrúxulos superpoderes, uma tartaruga com transtorno obsessivo-compulsivo e uma nuvem com incontinência pluviométrica. A aventura desses personagens segue até as profundezas, quando eles se deparam com os bizarros peixes.

O longa conta com um humor excêntrico, tanto que no primeiro projeto ele iria se chamar ‘Minha bunda é um gorila!’, frase repetida diversas vezes pela personagem principal, ativando seus poderes e transformando suas nádegas em um gorila. Os animadores aplicam diversos traços ao longo da 1h20 de filme, marcando cada lugar, representando a sua ambientação e sentimento, assim como os personagens, como por exemplo a tartaruga com traços muito bem definidos, em contraponto da nuvem que é composta de traços mais simples.

Por não seguir uma linha narrativa que estamos acostumados, Bizarros Peixes das Fossas Abissais pode causar estranheza, e até cansar em alguns momentos aqueles espectadores que não consomem obras fora do padrão clássico, mesmo assim o filme consegue envolver e emocionar, principalmente na sua parte final em que demonstra o porquê de toda a aventura da heroína.

A animação, que traz um contexto muito brasileiro (e principalmente carioca), viaja desde Araraquara até os castelos medievais da Sérvia, passando obviamente pelas Fossas Abissais, depois de enfrentar rinocerontes extraterrestres, entre outras tantas coisas.

Marão estreia em longa-metragem mostrando que não veio para fazer mais do mesmo. Nos entrega uma produção nonsense, ao mesmo tempo envolvente. Claramente vai dividir opiniões entre o público, mas mostra que em aspectos de experimentações o cinema brasileiro não está devendo nada para ninguém.

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