CRÍTICA | “As Bestas” traz uma tensão inacreditável em um enredo espetacular

Com grande prestígio nos festivais de cinema internacionais, “As Bestas“, fruto da parceria entre França e Espanha dirigido por Rodrigo Sorogoye, chega finalmente aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (25) trazendo uma história marcada pela tensão gerada de um conflito entre vizinhos.

No longa conhecemos Antoine (Denis Ménochet) e Olga (Marina Foïs), um casal francês que se estabeleceu, há algum tempo, numa pequena aldeia, no interior da Galícia. Lá eles levam uma vida pacífica, embora coexistir com a população local não seja tão idílico quanto eles gostariam. Um conflito com seus vizinhos, os irmãos Anta (Luis Zahera e Diego Anido), irrompe e a tensão cresce por toda a aldeia até que chega a um ponto sem retorno.

As Bestas, 🎬 de Rodrigo Sorogoyen estreia dia 25 - AQUI TEM DIVERSÃO

Com 137 minutos de duração, “As Bestas” é excelente em deixar o espectador angustiado pela tensão crescente entre os conflitos apresentados. A direção e o roteiro caminham de mãos dadas para a construção de uma jornada emocional inesperada, com auxílio de paisagens rústicas que fazem uma alusão a ausência de civilização, o longa fornece uma experiência inquietante, ao tempo em que a audiência prevê algo de ruim à espreita destes confrontos ela não imagina o que está por vir.

Com diálogos rápidos, inteligentes e com uma pitada de crítica diante da desigualdade social em que os habitantes do vilarejo estão inseridos em comparação com aos estrangeiros, a produção não funcionaria senão fosse pelo desempenho do elenco. Ménochet, Foïs, Zahera e Anido contribuem para a imersão imediata de uma história que tem mais de um lado a ser analisado. Afinal, a miséria é capaz de servir como justificativa para nos transformamos em bestas? Ou ela é um fator que nos molda justamente nisso para a sobrevivência?

FANTASPOA

Durante a trama é possível ver como a instabilidade financeira e o esquecimento de um povo rural é capaz de servir como instrumento de manipulação de ganância para aqueles que detém o poder, o levando aos extremos de uma sociedade. Além disso, o longa traz o choque de diferenças culturais e a xenofobia inseridos em um terror crescente que invade o espectador de forma avassaladora, sem piedade.

As Bestas” é um filme hipnotizante! É impossível desviar o olhar, mesmo nos momentos mais agonizantes e difíceis de ser assistido. Seu desenvolvimento é surpreendente e a mudança de perspectiva da narrativa pega o espectador de forma inesperada. Sem deixar de lado a tensão apresentada logo nos minutos iniciais, a sensação sufocante permanece até os minutos finais quando o espectador percebe que esta é uma história sobre humanidade e sua ausência.

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