Ganhador de dois Globos de Ouro e um dos favoritos para o Oscar deste ano, “Os Rejeitados” chega nos cinemas de Brasil nesta quinta-feira (11) com uma ambientação setentista, intensamente isolada e solitária como seus protagonistas e regada de um humor inteligente, peculiar e inacreditável que faz do filme uma obra única.
Com a direção de Alexander Payne e roteiro de David Hemingson, “Os Rejeitados” traz a história de Paul Hunham (Paul Giamatti), um professor altamente odiado pelo corpo estudantil da Barton Academy, o internato em que trabalha. Enquanto alunos e professores voltam para as suas casas nas festas de fim de ano, o Sr.Hunham é designado a ficar responsável pelos estudantes que precisam ficar no colégio no feriado. Durante a tarefa, ele precisa lidar com Angus (Dominic Sessa), um adolescente rebelde que está de luto pela morte do pai.

Com 2 horas e 14 minutos de duração, o longa tem a missão principal de trazer em sua fotografia a sensação inebriante da solidão que os protagonistas compartilham entre si. Apostando em um gigante internato vazio e rodeado de uma neve esmagadora, Paul, Mary e Angus são obrigados a conviver e lidar com suas diferenças, ao tempo em que se encontram em suas similaridades acompanhados de uma trilha sonora que contribui perfeitamente com a imersão à época em que a história está situada.
O ponto mais bonito deste filme é que não ocorre uma mudança drástica de personalidade dos personagens, como geralmente acontece em filmes do gênero. Em “Os Rejeitados” ocorre a permissão de uma nova perspectiva, a capacidade de enxergar o outro e gerar uma empatia que não habitava ali antes. Enxergá-lo como um ser humano com falhas, traumas e dores. Isso não faz com que eles mudem, faz apenas com que eles se permitam ser quem são sem nenhuma amarra que os impeça de tal façanha.

Entre as solidões, o filme expõe a dor de um luto recente de uma maneira tão avassaladora que rendeu a performance de Da’vine Joy Randolph um Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia ou Musical. A atriz sabe transitar pela comédia e o drama de forma sutil e cativante, conquistando a audiência com seu carisma e a compreensão de uma personagem tão real que sua dor é palpável.
Por mais que eu tenha falado muito neste texto sobre solidão e drama, não se engane em achar que “Os Rejeitados” é um filme pesado e intenso demais de ser digerido. O seu humor inteligente, com diálogos rápidos e que necessitam de nosso conhecimento prévio sobre a história da humanidade, fazem do filme uma obra que lhe arrancará altas gargalhadas na sala de um cinema. Seu lado cômico ácido acrescenta aos personagens uma dose de camada mais interessante de ser desabrochada em tela, evidenciando segredos surpreendentes e tirando deles reações inacreditáveis.

“Os Rejeitados“ é uma obra que chegou de mansinho e foi capaz de conquistar a atenção merecida para si. O roteiro de Hemingson é uma das melhores coisas feitas dentre os filmes-estrelas da época de premiação, assertivo em tudo que lhe propõe abordar sua maior ferramenta é o ser inusitado, e ele faz isso com louvor!
Nota: 5/5








