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CRÍTICA | O retorno de ‘A Fuga das Galinhas’

Lançado em 2000, até hoje A Fuga das Galinhas é uma das animações mais marcantes do cinema contemporâneo, seja pela sua técnica de stop motion executada com maestria, seja pela divertidíssima narrativa do filme, ou até por ser um filme que faz uma crítica contundente ao capitalismo. Em 2023 Ginger e suas amigas estão de volta para uma continuação direta: A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets. O longa é uma produção original Netflix, e conta com a direção de Sam Fell (Por Água Abaixo).

O primeiro filme de A Fuga das Galinhas se fecha muito bem, e por ser bastante marcante deixou uma missão difícil para seu sucessor que chegou apenas 23 anos depois. Além disso, boa parte das franquias que retornam nessa onda de nostalgia hollywoodiana nos entregaram produções decepcionantes, porém posso dizer que A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets não decepciona, nos entrega um filme divertido e crítico, assim como seu antecessor.

Em A Ameaça dos Nuggets encontramos uma Ginger casada com Rocky vivendo em uma ilha comunitária com as outras galinhas que fugiram no filme dos anos 2000. A sequência inicial nos apresenta muito bem o funcionamento dessa comunidade, além de nos apresentar a peça central do longa: Molly, a filha de Ginger e Rocky. Se vendo presa naquela ilha, Molly quer desbravar o mundo desconhecido, porém Ginger se depara com o dilema de proteger a filha, mas também não priva-la da liberdade, algo que a atormentou no seu passado.

Visualmente não existe o que criticar em A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets. O filme eleva ainda mais o que foi entregue no longa de 2000, trazendo cenas que você se pergunta como aquilo foi feito ao lembrar que se trata de um stop motion. Observando os bastidores, vemos também que existiu o uso de tela verde, o que facilita e muito o trabalho de cenário e efeitos, e isso não é demérito algum para o filme, que se não tivesse olhado as imagens de bastidores não teria percebido o uso do artifício.

Narrativamente, como já dito, o filme continua em com sua crítica ao capitalismo, mesmo que de forma diferente do primeiro filme. No longa de 2000 temos uma crítica muito expressiva ao sistema de trabalho empregado no capitalismo e como os trabalhadores são vistos como geradores de produtos. Na sequência a crítica vai no caminho de uma falsa propaganda de felicidade através do trabalho, e também em uma pasteurização das produções, trazendo isso na imagem dos nuggets.

A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets traz a sua crítica de maneira bem menos contundente que seu antecessor, e também deixa o filme um pouco mais “alegre”, trazendo cores mais vivas na sua direção de arte e enfatizando mais mais na comédia que no drama. Também é incorporado ali a narrativa familiar da Ginger, Rocky e Molly, deixando a animação mais sentimental nesse aspecto. O filme de 2023 inverte a lógica do filme de 2000, já que dessa vez as galinhas estão querendo entrar na granja, ao invés de fugir dela.

Outro ponto que merece ser citado é a dublagem. A dublagem brasileira nos entrega mais uma vez atuações primorosas, assim como no primeiro filme. A dublagem brasileira acerta em um ponto que encaro como um deslize da dublagem estadunidense, que foi de manter os atores que fizeram os personagem em 2000.

A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets nos entrega uma obra divertidíssima, mas não é, e nem tenta ser, tão crítico e inovador quanto o seu antecessor, apesar das características estarem ali. A alteração na direção entre os filmes não fez com que a produção perdesse a sua “essência”. Conseguimos fazer um ótimo proveito durante a 1h41m de filme e a Netflix conseguiu atingir seu objetivo se aproveitando da nostalgia de A Fuga das Galinhas.

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