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CRÍTICA | “Mamonas Assassinas – O Filme” é uma das maiores decepções do ano

É inegável que Mamonas Assassinas foi um fenômeno nacional, o seu primeiro e único álbum de estúdio vendeu mais de 3 milhões de cópias durante o ano de 1995 e assim eles conquistaram os brasileiros com um humor inusitado, figurinos surpreendentes e um carisma único. Quase 28 anos da sua trágica morte precoce, Edson Spinello dirige a primeira cinebiografia da banda, que chega no dia 28 de dezembro nos cinemas de todo o Brasil.

Mamonas Assassinas – O Filme” acompanha a trajetória de Dinho (Ruy Brissac), Júlio (Robson Lima), Bento (Alberto Hinoto), Sérgio (Rhener Freitas) e Samuel (Adriano Tunes) que, juntos, formaram um dos grupos mais inesperados e inicialmente desacreditados pelo grande público, os Mamonas Assassinas. Provando-se um sucesso estrondoso em um curtíssimo espaço de tempo, o quinteto precisou de muitas tentativas frustradas para conseguir mostrar que podia ser a próxima grande banda do Brasil.

Lançado trailer de “Mamonas Assassinas: O Filme” - Rádio 92.5 FM

O filme escolhe focar na formação e no estrelato meteórico da banda, deixando um pouco de lado a tragédia que envolve a história do grupo. Assim, a narrativa é construída cinco anos atrás de um dos últimos shows que a banda vez em Guarulhos. Com um tom cômico assertivo, que garante gargalhadas inusitadas, a performance divertida de Ruy Brissac é um dos maiores (senão o único) acerto de “Mamonas Assassinas – O Filme”. O ator, que já está habituado a viver o Dinho nas peças de teatro, mergulha com tanto afinco no papel do carismático vocalista que consegue salvar dos mais desastrosos momentos que o longa constrói, salvando até o restante do elenco que não contribui tão positivamente para a trama – mas somente em momentos em que ele divide a tela com seus colegas.

Além de Brissac, infelizmente não há nada de positivo para se falar do elenco. Entre um parente de um membro oficial da banda e influencer de tik tok, a escolha do elenco se limitou a similaridades físicas (ou apenas da caracterização de figurino – que realmente foi boa!). A direção de Spinello prejudica ainda mais o desempenho dos atores, em cenas engessadas, sem uma dinâmica crível entre eles e dependendo totalmente do carisma de Brissac.

Mamonas Assassinas em família: Integrante do grupo é interpretado pelo  próprio sobrinho em filme

Como um colcha de retalhos, o filme é completamente picotado e com uma montagem terrível. A ordem da narrativa criada é confusa e apresenta erros de continuidade que – não só confundem mas – enfurecem a audiência que fica sem entender a ordem dos acontecimentos devido as lacunas presentes. Há quem diga que as gravações do filme eram originalmente de uma produção em forma de minissérie, isso explica o formato visual escolhido, além do ritmo apressado que a produção ganha.

Uma das maiores decepções é a omissão de “Mamonas Assassinas – O Filme” em mostrar o básico de uma cinebiografia musical: o processo criativo das músicas. De tantos hit da banda, apenas um ganha um background e um sentido para sua existência. O resto? Frutos do acaso! Assim, fica claro que o longa metragem não se propõe apresentar NADA com eficiência, nenhuma relação amorosa ou familiar é construída de forma lógica dentro da narrativa, nem ao menos a dificuldade que eles tiveram nesses 5 anos para chegar ao estrelato é colocado de forma evidente.  A não ser que você considere uma cena de 30 segundos mostrando os “corres” como algo convincente para a produção desta concepção.

Cinebiografia de Mamonas Assassinas promete ser tão irreverente quão o  sucesso meteórico e ícônico da banda | O Barquinho Cultural

Mamonas Assassinas – O Filme”  é um filme decepcionante, de todas as escolhas criativas que poderiam ter escolhido para contar a história de um grupo que faz parte da cultura nacional… eles escolheram as piores. Nem mesmo o protagonismo divino de Ruy Brissac foi o suficiente para salvar todo desastre que o cercava, seja na parte técnica – com uma TERRÍVEL edição de som e de imagens – ou seja na parte criativa – com momentos jogados a esmo para o espectador que fica a ver navios. Meu conselho? Assistam o documentário Mamonas Para Sempre lançado em 2009 (disponível no Globoplay), assim vocês não irão sentir a frustração de uma história mal contada.

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