Nostálgico e sensível, “Os Segredos do Universo por Aristóteles e Dante” traça uma história intimista sobre descoberta juvenil, tanto em dramas do coração quanto dramas da identidade pessoal, cultura e família. Com estreia prevista para 30 de novembro, o longa agrada tanto os fãs do livro quanto os desavisados do material de origem, capaz de conquistar, cativar e emocionar todos que se derem uma chance de mergulhar nesta história.
Adaptado do livro best-seller de Benjamin Alire Sáenz, “Os Segredos do Universo por Aristóteles e Dante” é ambientado em El Paso de 1987 e conta a história de dois adolescentes mexicanos-americanos, Aristóteles Mendoza (Max Pelayo) e Dante Quintana (Reese Gonzales), enquanto exploram sua amizade e o difícil caminho para a autodescoberta.

Dirigido por Aitch Alberto, o filme consegue construir os personagens de modo tão crível quanto possível, faz deles cheios de camadas dramáticas, conflitos morais e intensidade que o apego é imediato, a partir do primeiro encontro dos protagonistas. A dinâmica entre os dois garante o entretenimento necessário para contrabalancear o tom dramático do longa, enquanto Ari guarda dentro de si toda dor, confusão e obscuridade, Dante traz a possibilidade de um futuro que Ari não imaginava ter.
A química e o entrosamento entre Pelayo e Gonzales é o fator crucial para o filme dar certo. A transição da amizade para o amor é suave através de um roteiro fluído e intimista. Os dilemas que os dois compartilham juntos, com diálogos retirados do livro, contribuem para o crescimento desse vínculo. Assim, todos os obstáculos que eles enfrentam se tornam mais impactantes devido este laço construído ao longo das 1 hora e 36 minutos de duração.

O elenco de apoio, composto pela família dos protagonistas, exerce um papel essencial dentro da construção dramática pessoal de cada personagem principal. Sendo apoio ou a dúvida, este núcleo nutri a curiosidade do espectador diante da complexidade de suas vidas, seus receios, seus sonhos e anseios. A chave principal deste longa é a sua construção “pé no chão”, a direção e o roteiro de Alberto é sensível, delicada e respeitosa. Até mesmo os conflitos que trazem à tona as versões mais desagradáveis de si, se fazem compreendidas diante do público que já se afeiçoou pelos dramas dos protagonistas.
A trilha sonora é um show à parte e merece ser mencionada! Usada para ambientar a audiência da época que a história é inserida, os hits escolhidos casam perfeitamente com a cena exibida em tela, ao tempo que dita o tom da narrativa ele também serve de ferramenta temporal. A direção de fotografia de Akis Konstantakopoulos foi essencial e espetacular em transmitir a essência posta no livro que foi adaptado, escolhendo uma paleta de cores que remete o verão eterno (ou pelo menos o sentimento agridoce de sua despedida, que nos remete a despedida da juventude), distinguindo luzes e cores de cada ambiente familiar para transparecer como os protagonistas se sentiam naquela residência, além de seus posicionamentos de câmera que fazem o público imergir na história.

“Os Segredos do Universo por Aristóteles e Dante” é um filme realmente surpreendente, deliciado e intenso. Visualmente e sonoramente agradável aos nostálgicos da década de 80, a produção se torna ao fim um coming of age que rompe a barreira que limita sua história aos leitores do livro, conquista uma nova audiência e instiga debates de forma natural e sedutora.
O filme será exibido nos cinemas de todo o Brasil a partir do dia 30 de novembro.
Nota: 4,5/5