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CRÍTICA | “Durval Discos” é surpreendente e atemporal!

Estreando o projeto “Sessão Vitrine Petrobras“, que começa no próximo dia 23 de novembro, o clássico contemporâneo brasileiro “Durval Discos” de 2002 estreia em cópia digital 4k, cujo processo de digitalização foi patrocinado pelo projeto. O longa de estreia de Anna Muylaert, muito bem premiado nos festivais nacionais, traz uma história inesperada e surrealista sobre apegos, desapegos e o desespero de um propósito na essência mais absurda do ser humano.

No filme conhecemos Durval (Ary França), um homem que tem uma pequena loja de discos de vinil na casa onde vive com sua mãe (Etty Fraser). Para ajudar sua mãe, o solteirão Durval contrata uma candidata que faz quitutes extraordinários. Mas, depois de dois dias, ela desaparece, deixando sua filha, a pequena Kiki, que mudará a vida da pequena família.

Durval Discos

Responsável por lançar Muylaert como diretora no cenário cinematográfico de longa metragens no Brasil, que posteriormente nos presenteou com clássicos como ‘Que horas ela volta?’ e ‘É proibido fumar’, “Durval Discos” traça uma jornada insana sobre anseios de se encontrar diante da monotonia. O filme constrói em suas 1 hora e 36 minutos de duração, uma narrativa que evolui para algo inacreditável e surreal, incapaz de ser previsto pela audiência. E é por isso que minha dica é: assista sem saber absolutamente nada além da sinopse curta do filme! Você vai se surpreender! E fica tranquilo, este texto não contém spoilers.

Passados 20 anos, as atuações e a construção dos personagens de “Durval Discos” ainda continuam atuais e presentes dentro de cada problemática que ele traz em tela. A convivência da relação codependente entre mãe e filho, a insistência em não amadurecer e evoluir (representada na loja de discos pela maior parte do tempo), o anseio de completar o vazio da existência…. esses são apenas alguns pontos abordados no filme através de um roteiro inteligente e cômico, que tem o auxilio de atuações espetaculares.

Precisamos falar sobre Durval Discos | by Elvis Picolotto | Medium

A  trilha sonora assinada por André Abujamra, que também faz participação especial no filme – como também  Rita Lee, é um deleite aos ouvidos dos amantes de música popular brasileira. Com nomes como Jorge Ben Jor, Gal Costa e Gilberto Gil, as músicas selecionadas para o longa contribuem para a compreensão mais imersiva do contexto das cenas em que ganham destaque. Alternando entre alivio e tensão, a música é como se fosse uma segunda protagonista de um filme ambientado em uma loja de discos.

Durval Discos” é um filme lindamente triste, quando refletimos sobre a trajetória dos personagens a emoção que se faz presente é a melancolia. Todavia, a beleza do filme habita na capacidade da Muylaert não deixar isso transparecer. Com um humor muito característico, a imprevisibilidade do surreal e a exibição de cenas inimagináveis, fazem do filme uma obra que irá te arrancar a força gargalhadas de nervoso.

Ouça a trilha sonora!

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