Um prato cheio de referências aos amantes do terror de Edgar Allan Poe, a obra adaptada do autor para a Netflix realizada por Mike Flanagan chegou para chocar, emocionar e aterrorizar os espectadores que tiveram suas altas expectativas excedidas em “A Queda da Casa de Usher“, uma obra fenomenal do início ao fim.
Com 8 episódios de 1 hora (aproximadamente) de duração cada, “A Queda da Casa de Usher” conta a história dos irmãos Roderick (Bruce Greenwood) e Madeline Usher (Mary McDonnell), os herdeiros da dinastia Usher. Conhecidos por transformar a Farmacêutica Fortunato em um império de privilégios, luxo e poder, os irmãos agora se encontram isolados e extremamente doentes. Em uma casa que um dia já habitou o sucesso, agora apenas resta um ar de podridão e abandono. Presos nas mãos de uma misteriosa mulher de seu passado, a dinastia Usher terá que enfrentar os segredos que vêm à tona quando uma morte marca o início de uma grande tragédia. (*)

Conhecido por grandes obras populares, como A Maldição da Residência Hill, A Maldição da Mansão Bly, O Clube da Meia-Noite entre outras parcerias com a Netflix que resultaram em uma grande aceitação do público, Mike Flanagan construiu um legado dentro do gênero do horror que nos faz sempre esperar a excelência de suas obras. Com “A Queda da Casa de Usher” não foi diferente, e, ainda bem, ele manteve sua régua de qualidade bem acima de outras séries do mesmo gênero.
Como suas outras obras, que também são adaptadas de clássicos da literatura, nesta série Flanagan utiliza do horror para realizar inúmeras críticas pontuais, ao tempo que constrói um drama sólido progressivamente, ao ponto de nos fazer emocionar afinco nos episódios finais. É claro que você pode esperar muitos sustos, momentos aterrorizantes, mortes traumáticas e plot twists perturbadores. Mas tenha em mente que “A Queda da Casa de Usher” não é SÓ sobre isso.

O roteiro é tão preciso e atento aos detalhes que o desenvolvimento da família Usher é nada menos que fenomenal. Os irmãos, que são os magnatas da dinastia, ganham uma atenção maior – é claro – com flashbacks que não atrapalham o fluxo da história, pelo ao contrário, enriquecem com diálogos e momentos que nos fazem questionar até onde a humanidade iria por poder. Isso se estende aos filhos, por mais que eles não tenham um desenvolvimento dramático tão aprofundado quanto de seu pai e sua tia, todos arcos que os envolvem (e que dão motivo as suas mortes) são claros e diretos, capaz de nos fazer compreender seus fins sem nenhuma dificuldade.
O elenco corresponde a altura do roteiro e entregam excelentes performances, nos agraciando com sentimentos de repulsa ou empatia conforme é transparecido em tela. Mark Hammil se torna irreconhecível e nos fornece uma ótima participação, no entanto, preciso ressaltar que o maior destaque foi para Carla Gugino, que viveu a Verna. Não vou me estender muito sobre quem é ela na história porque isso poderia ser um grande spoiler, já que a série brinca com a sanidade do espectador e nos faz duvidar do que é real e do que não é. Todavia, preciso deixar um espaço reservado aqui para exaltar como a atuação de Gugino progrediu, como ela está confortável em viver um personagem tão audacioso e impiedoso.

Antes de encerrar esse texto, há de comentar algo em que “A Queda da Casa de Usher” se diferencia das suas séries-irmãs. O primeiro episódio já nos é apresentado como será a construção narrativa da série de terror, e é nela que notamos o aspecto investigativo da trama. Não funciona apenas como um quebra cabeça, mas como um suspense que nos instiga a achar um culpado e desconfiar de todos os personagens. Isso é algo relativamente novo dentro das produções de Flanagan e que funcionou perfeitamente para esta história.
“A Queda da Casa de Usher” é uma série que não me deixou em paz até eu finalizá-la. Essa é daquelas produções que perpetua em sua mente, o faz pensar nela a todo momento, o instiga a assistir sem interrupções e se mantém viva em sua memória mesmo depois dos créditos finais desaparecerem. Com referências visuais inebriantes a elementos icônicos das histórias de Edgar Allan Poe, com uma excelente produção técnica, a obra se eleva e se destaca entre os lançamentos do ano.
Nota: 5/5