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CRÍTICA | “O Exorcista – O Devoto” abusa de nostalgia para convencer o espectador a assistir algo desastroso

Na falha tentativa de conquistar os fãs de um dos maiores filmes de terror da história do cinema, “O Exorcista – O Devoto” acaba sendo autointitulado como sequência direta do clássico dirigido por William Friedkin e lançado em 1973, no entanto, ao longo do filme percebe-se que a obra passa longe da sua suposta antecessora, se apoiando somente em retornos nostálgicos para se fazer relevante entre tantas continuações.

No filme acompanhamos Victor Fielding criando sua filha Angela sozinho desde a morte de sua esposa grávida em um terremoto no Haiti. Mas quando Angela e sua amiga Katherine desaparecem na floresta e retornam três dias depois sem memória do que aconteceu com elas, isso desencadeia uma série de eventos que obrigará Victor a confrontar o mal e, em seu terror e desespero, buscar a única pessoa viva que testemunhou algo parecido antes: Chris MacNeil.(*)

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Com 1 hora e 52 minutos de duração,  “O Exorcista – O Devoto” se distancia ao máximo da obra original. Iniciando como uma investigação policial, o longa insere uma trama de suspense que agrada e convence o espectador com facilidade, mesmo com o nível baixo das atuações do elenco principal. Todavia, depois dos 40 minutos iniciais, a produção desanda de uma forma frustrante, revoltante e desleal com o espectador que esperava ao menos ver um exorcismo decente.

Com um aspecto de baixo orçamento, o visual da obra também não ajuda muito. Tudo parece brega demais, quase como se tivesse intuito de ser lançado somente para televisão….há 15 anos (ao menos). Isso se intensifica nos momentos finais quando a possessão chega a seu ápice e os efeitos práticos são deixados de lado e a computação gráfica de qualidade dos anos 90 toma as rédeas.

The Exorcist: Believer' Review: The Same Old Tropes, Minus the Dread

O desempenho do elenco infantil talvez seja a maior decepção deste filme. Lidya Jewett e Olivia O’Neiol são desastrosas e não conseguem representar o que fez O Exorcista ficar tão icônico e atemporal: a transformação de uma criança possuída. É tudo tão forçado que não parece se encaixar em nenhum momento. A culpa disso se estende também para o diretor David Gordon Green, que não soube lidar com isso e deixou o elenco à esmo.

Agora, eu deveria ao menos citar uma qualidade boa do filme, né? Bem, ele não é de todo terrível. Como eu disse, o começo intriga e instiga, fazendo o público se interessar pelo mistério das amigas desaparecidas. Ao tempo em que também é interessante a retirada do eixo central da igreja católica nesta narrativa com adição de outras religiões, principalmente de matriz africana. O único lado ruim disso é que no momento em que o filme poderia se sobressair com essa identidade diversa ele cai na mesmice de da o poder para a igreja católica e ao “poder do amor”, fazendo dele ainda mais brega.

The Exorcist: Believer' review | CNN

 “O Exorcista – O Devoto” não mostra a necessidade de reviver o clássico, não se faz relevante nem ao menos atrativo as expectativas dos fãs. É decepcionante, com uma trajetória decadente conforme os minutos se avançam. Nem ao menos as participações especiais conseguiram salvá-lo, na verdade elas contribuem com a raiva crescente, que não servem nem como nostalgia, apenas servem como uma ferramenta de mau gosto para chocar ou tentar emocionar.

O filme estreia amanhã (12) nos cinemas de todo o Brasil.

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