A partir do dia 12 de outubro Gal Costa entra para a lista de ícones da música brasileira a ganhar uma cinebiografia no cenário cinematográfico nacional. Protagonizado por Sophie Charlotte, “Meu Nome é Gal” chega nos cinemas contando um fragmento da história da cantora, de forma apressada e sem introduzir devidamente o público a linha temporal de sua vida, o filme acaba sendo uma obra sobre as relações interpessoais de Gal durante da ditadura militar do que a história da trajetória de sua carreira.
“Meu Nome é Gal” mostra como Gal Costa e seus companheiros Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Jards Macalé, Tom Zé e Wally Salomão, ainda muito jovens, enfrentaram a dificuldade de serem tão vanguardistas em meio ao conservadorismo e à violência impostos pela ditadura militar no Brasil. Com sua presença, sua atitude, seu corpo e sua voz, Gal Costa transformou a música brasileira e também toda uma geração, principalmente de mulheres.

Com menos de 1 hora e meia de duração, o filme toma a decisão criativa de contar como Gal se tornou uma das vozes mais potentes da Tropicália. Talvez esse seja o maior erro do filme, por ser curto ele deixa de fora diversos momentos cruciais para entender quem é Gal, como ela chegou naquele momento e quem ela se tornou. Com uma montagem apressada e edições repleta de cortes desenfreados, o longa exige que o espectador tenha um conhecimento prévio da história da música brasileira, caso contrário ficará a ver navios.
Quando o assunto é ditadura e Tropicália, o filme é inteiramente superficial. Usando e abusando de imagens reais para lembrar os espectadores das ameaças e do medo que assolava aqueles que eram contrários ao regime autoritário, a produção é escassa quanto ao desenvolvimento da própria Gal neste sentido. Por vezes, parece que a cantora não se importava com o estado atual do país e sim com o que os seus amigos, Gil e Caetano, achavam sobre a situação, assim fazendo dela alguém influenciável e sem personalidade.

Todavia, há algo que não existe a possibilidade de achar defeito: a seleção do elenco. Além das similaridades físicas (ou a falta dela em alguns momentos), Sophie Charlotte, Rodrigo Lellis, Camila Mardila, Luis Lobianco, Dan Ferreira, Dandara Ferreira, Chica Carelli e George Sauma encarnam seus personagens e fazem a gente voltar no tempo. O figurino e suas performances compensam o baixo orçamento das locações, e os cenários ao ar livre fazem a gente abraçar a ideia de liberdade que os artistas tentam transmitir durante a narrativa.
As performances musicais, bem como a seleção das músicas, corresponderam às minhas altas expectativas. A voz de Charlotte e sua doação ao papel, fez dela alguém hipnotizante de ser assistida, como Gal. Sua relação com os ícones da MPB também é um ponto positivo, é bonito ver a amizade sendo fortalecida e nos momentos mais intensos se entrelaçam.
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Diante de tantas cinebiografias no cenário do audiovisual nacional, infelizmente, “Meu Nome é Gal” se apaga. Sua escolha de mostrar as fases da vida da cantora de forma picotada e sem contexto fez com que jogasse fora o potencial de explorar uma carreira tão inspiradora, autêntica e visceral como foi a de Gal Costa. O que deixa ao fim é o gosto amargo de algo que poderia ter sido feito… melhor e mais memorável.
Nota: 2,5/5








