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CRÍTICA | ‘Nosso Sonho’ chega com muita emoção e nostalgia

Nesta semana chega aos cinemas o filme Nosso Sonho, a cinebiografia da dupla de funk Claudinho e Buchecha, que foram sensação do Brasil no final dos anos 1990. O longa é dirigido por Eduardo Albergaria, e protagonizado por Juan Paiva (M8 – Quando a Morte Socorre a Vida) e Lucas Penteado (Espero Tua (Re)volta).

Não é uma missão fácil trazer uma cinebiografia de uma dupla tão querida no imaginário popular brasileiro. É explícito que esse filme vai atingir gerações de diferentes formas, aqueles que cresceram nos anos 1990 vão sentir toda a nostalgia e a emoção, relembrando os momentos que viveram que tiveram a dupla como trilha. Os que cresceram nos anos 2000 ainda sentiram o impacto da dupla e lembram bem dos hits dançantes e da história emocionante. As gerações mais recentes talvez não sintam tanto, conhecem uma música ou outra, mas claramente esse filme não é para esse público.

Nosso Sonho não chega às telas com a missão de contar uma história com detalhes da trajetória da dupla, nos dando fatos e acontecimentos que não conhecíamos, mas sim uma homenagem a um grande fenômeno brasileiro que acabou cedo demais em uma tragédia, mas que ainda tem o carinho de tantos brasileiros. Esse é um dos maiores acertos, mas talvez também seja um dos maiores defeitos do filme.

Por não ter o intuito de contar a história da dupla como um todo, o roteiro viaja rapidamente entre os anos, e por mais que eles coloquem as datas e nos contextualiza no tempo, em certo momento o espectador pode ficar confuso do quão acelerado as coisas acontecem. O filme tem um ritmo de um clipe de funk, cortes rápidos e uma narrativa acelerada para abarcar tanto tempo em 2 horas, e acaba deixando muita coisa de fora que não foi contada.

Outro ponto do roteiro que pode surpreender, mas que faz bastante sentido, é que a narrativa segue o Buchecha, conhecemos mais sobre esse lado da dupla, as suas angústias, as suas percepções, o seu lado da histórias. Digo que faz sentido porque Claudinho não está mais entre nós para contar a sua histórias, e com o próprio Buchecha envolvido na produção, a narrativa segue as suas memórias.

Ainda sobre o Buchecha, Juan Paiva se apresenta de forma espetacular no papel. Um garoto tímido, retraído, mas que aos poucos vai se soltando até se tornar um MC de funk. Mesmo com seu jeito tímido, o Buchecha do Juan conquista a audiência e faz um contraponto legal com o agitado Claudinho de Lucas Penteado. Apesar de Lucas estar muito bem em cena, alguns trejeitos da sua atuações podem incomodar, como a imitação da língua presa do Claudinho que ficou pouco natural em certos momentos, ou sua atuação expansiva, que lembra bastante seu papel em Barba, Cabelo e Bigode.

Exceto Nando Cunha, que interpreta espetacularmente o papel do pai de Buchecha, os coadjuvantes não tem muito tempo de tela, inclusive despertam a curiosidade do público de querer saber mais sobre eles, principalmente os pares românticos da dupla, Rosana (Lellê) e Vanessa (Clara Moneke). Mensão honrosa também para a aparição relâmpago, mas curiosa, do MC Negão da BL.

Claro que não poderia faltar um espaço para a trilha sonora, que como era de se esperar está espetacular, não trazendo apenas os hits da dupla em momentos certeiros, mas também outros sucessos da década como ‘Tempos modernos’, de Lulu Santos, e ‘Eu só quero é ser feliz’, de Cidinho & Doca.

Em termos de cinebiografia, Nosso Sonho poderia ser melhor em alguns aspectos que contemplam a história de Claudinho e Buchecha como indivíduos. O filme aposta em uma jornada de amizade entre a dupla do funk, e atinge seus objetivos de forma excepcional com muita nostalgia e a emoção, fazendo lágrimas derramarem de boa parte do público durantes os créditos finais.

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