Unindo clichês clássicos do mundo do horror, “TOC TOC TOC – Ecos do Além” é eficiente em desenvolver gradativamente uma jornada aterrorizante, mas, infelizmente, não sabe a hora de parar. O novo longa da Paris Filmes dirigido por Samuel Bodin estreia nesta quinta-feira, dia 31 de agosto, nos cinemas brasileiros.
Ambientado em uma pequena cidade, um menino tímido ouve uma batida misteriosa de dentro das paredes do seu quarto. Logo, uma série de acontecimentos macabros reforçam uma suspeita do jovem, de que seus pais estão escondendo um terrível segredo. Nessa família envolta em enigmas, caberá a professora substituta do menino, levantar a questão: o que acontece naquela casa quando as portas estão fechadas?

Com nomes bastante conhecidos no elenco, como Lizzy Caplan e Antony Starr, o filme peca quando observamos somente a performance dos atores principais. Tudo parece engessado demais, esquisito demais, forçado demais. E, ainda que possa ser a proposta da produção, isso ainda é difícil de ser assistido, pelo menos nos trinta primeiros minutos do filme. Ainda bem que, pelo menos, Woody Norman consegue ser constante em sua performance e entrega um bom protagonismo.
Com um início prejudicado pela direção monótona e atuações antipáticas, “TOC TOC TOC – Ecos do Além” se transforma quando seu horror se eleva ao ponto de transformar os pais em suspeitos de uma série de mistérios que envolvem a vizinhança e, até mesmo, a própria família. Em pesadelos e ilusões, o terror do filme se sobressai neste momento, quando faz das figuras de autoridade a maior ameaça do filme. E é aqui que as atuações melhoram exponencialmente, quando eles não precisam mais fingir que não tem algo de errado com a família.

A montagem, a direção de fotografia e a edição do longa contribui para uma experiência melhor que a proposta genérica do filme tem a oferecer. Apesar disso, a trilha sonora o mantém no patamar medíocre que ele assegura.
Os eventos após a primeira hora de duração do filme, que tem 1h 28min, ficam maçantes e parecem demorar uma eternidade para acabar. Isso porque, após a revelação da voz que conversa com o protagonista, tudo fica muito repetitivo e o efeito da surpresa vai se apagando quando observamos a maneira precária que a direção escolhe seguir com a história. Isso sem falar dos efeitos especiais! Longas independentes, com metade do orçamento, costumam se sair melhor neste quesito do que este filme.

“TOC TOC TOC – Ecos do Além” não é terrível, mas também não é ótimo. Ele irá, definitivamente, ficar perdido entre os lançamentos do gênero do ano pela falta de algo que o faça se destacar entre as estreias. Ainda assim, afirmo que, apesar das ressalvas, acredito que ela seja um bom entretenimento para quem gosta do gênero e procura por uma diversão despretensiosa. O longa garante bons sustos, constrói com louvor uma ameaça invisível e nos presenteia com mortes sangrentas.
Nota: 3/5