Após inegáveis sucessos, como A hipótese do amor e A razão do amor, Ali Hazelwood retorna ao mundo literário com uma nova protagonista inserida no mundo da ciência. O seu novo lançamento pela Editora Arqueiro traz uma protagonista rica em camadas dramáticas, acompanhada de uma singela crítica a respeito do sistema de saúde dos EUA, além de, é claro, o tratamento da mulher no meio acadêmico. E um prato cheio para os fãs de Crepúsculo!
Em “Amor, teoricamente” conhecemos Elsie Hannaway, uma física teórica que passou anos de sua vida moldando diferentes versões de si mesma. Na esperança de conseguir uma renda extra para pagar suas necessidades médicas ela acaba oferecendo serviços de namorada de mentira, aproveitando sua habilidade de se adaptar exatamente ao que os outros querem dela. Tudo funciona bem, até Jack Smith, o irritante e atraente irmão mais velho de seu cliente favorito, aparecer! Ele acaba se revelando um importante físico experimental e um possível obstáculo para o emprego dos sonhos de Elsie.

O livro contém 368 páginas de escrita envolvente e imersiva, característica já conhecida de Hazelwood. O maior destaque deste seu novo trabalho vai para o desenvolvimento mais aprofundado da protagonista. Ainda que suas personagens femininas anteriores tenham sido bem representadas dentro de suas áreas acadêmicas, sinto que é somente neste livro que a autora se desprende de seus moldes narrativos e aprofunda ainda mais nos dilemas pessoas de sua mocinha.
Além dos conflitos enemies to lovers e dificuldades de se manter relevante em seu meio profissional, Elsie lida com diabetes tipo 1 e uma insegurança avassaladora, ao ponto de fazer se fragmentar em mil personalidades diferentes afim de agradar e se moldar em situações distintas. A personagem é tão rica em camadas dramáticas e conflitos internos que é impossível não se compadecer e se sentir empática com ela. Inclusive, me senti tão familiarizada que em momentos de embate eu tomava para mim todas suas dores. Esse é o nível de intimidade que Hazelwood traz em seu novo livro.

Apesar do romance ser ótimo, usado como ferramenta para o amadurecimento e desenvolvimento pessoal de Elsie, o forte de “Amor, teoricamente” não é esse. Talvez seja o romance mais fraco entre os últimos três livros que li da autora. E isso não quer dizer, necessariamente, que ele seja ruim. Só não foi o melhor que ela me apresentou nesta obra. Tudo que envolvia a protagonista era tão bom e interessante, que, para mim, seu romance ficou em segundo plano.
Isso não quer dizer que as cenas que envolviam Elsie e Jack sejam ruins, longe disso! Toda dinâmica entre os dois era divertida e apaixonante de ler. No entanto, Jack fica bem no fim da minha lista de homens perfeitos criados pela Ali.
“Amor, teoricamente” é um livro tão fácil de ler que acabei em dois dias (e pedi por mais!). Sinto que a autora, nesta obra, ficou mais confortável em explorar seu lado dramático e amadurecer suas ideias através de sua escrita. Com tantas críticas sociais e tabus, o livro passa longe de ser algo maçante de ser digerido, pelo ao contrário, toda sua narrativa é tão fluída que é impossível parar de ler. Por fim, fiquei feliz que nossa Elsie pode ser um modelo inspirador para todas as mulheres que sentem urgir em seu íntimo a necessidade de se apagar ao se moldar a sociedade.
Nota: 4,5/5