Com a direção e roteiro de Bruno Carboni, em colaboração com Marcela Bordin, “O Acidente” foi apresentado ao público pela primeira vez no ano passado, nos festivais de cinema pelo Brasil. No entanto, só chegará para o público geral nesta semana nos cinemas brasileiros, na quinta-feira, dia 24. Contando um drama um tanto quanto inusitado, a história tem uma ótima proposta e um começo promissor, todavia, se perde dentro do seu desenvolvimento e traz uma conclusão agridoce.
“O Acidente” acompanha a ciclista Joana (Carol Martins) que se vê envolvida num acidente estranho no meio do trânsito em uma metrópole brasileira. A jovem consegue sair ilesa e decide esconder o acontecido de Cecilia (Carina Sehn), sua esposa, a qual ela está prestes a começar uma família. Quando um vídeo do acidente surge, Joana é convencida pela esposa a dar queixa e logo recebe a visita da motorista e de seu filho, o autor do vídeo. Aos poucos, Joana é atraída para a vida dessa família disfuncional, principalmente para os vídeos bizarros do jovem Malcon (Luis Felipe Xavier), fazendo mudar o olhar para com sua própria família que está começando.

Com apenas 1h 35min de duração, o filme se atenta a focar na obsessão da protagonista pela família que estava envolvida em seu acidente. Confesso que, à principio, isso soou para mim como algo bastante positivo. Como uma tentativa de controlar o incontrolável, a personagem principal se vê atraída para o problema dos outros enquanto encontra insegurança na sua vida pessoal. Porém, infelizmente, a trama acaba tomando uma outra direção que acabou me desagradando.
Talvez esta jovem crítica não tenha entendido por completo a mensagem que o diretor queria trazer com sua analogia a situação atual do Brasil de insegurança ou o canal de comunicação que ele criou foi muito falho para gerar tal compreensão, mas o fato é que quando o desenvolvimento da história atinge um nível em que a vítima do acidente se vê dentro da casa da pessoa que o causou (e é até maltratada) ele me perdeu por completo. Não consegui mais me sentir compadecida, nem mesmo empática com toda a situação. Só queria que tudo acabasse.

Ao menos, o filme conta com boas atuações, realmente boas. Todo elenco desempenha ótimos papéis de forma entrosada em seus núcleos, enquanto o roteiro faz eles passarem por situações inconvenientes e que não levam a história a lugar algum. Pelo menos, a direção de fotografia foi excelente, com ótimas locações externas, apostando nos contrastes da vida urbana, o longa traz quase um sentimento de solidão e perturbação quando faz dos passeios da protagonista em avenidas movimentas. Além da escolha das cores predominantes em cenas específicas que conversam a respeito dos sentimentos conturbados.
“O Acidente” desaponta e decepciona, principalmente, porque alimenta uma expectativa excepcional com seu primeiro ato. O fato do filme não levar a lugar algum, não ter sua mensagem clara em alto e bom tom para a audiência, faz dele algo muito nichado e não atinge um novo público que procura por filmes nacionais para se relacionar e mergulhar em seus dramas.
Nota: 2/5