CRÍTICA | Sangue e Mel, a versão mais macabra do Ursinho Pooh que você verá

A internet foi ao alvoroço quando saíram imagens e a confirmação que seria lançado um filme de terror do Ursinho Pooh. O personagem infantil agora está em domínio público, e isso abre espaço para reimaginações da sua história, como o terror Ursinho Pooh: Sangue e Mel, do britânico Rhys Frake-Waterfield.

Christopher Robin vai para a faculdade e não tem mais tempo de cuidar de Pooh e Leitão. Quando a vida dos personagens se torna difícil, eles precisam se virar sozinhos e acabam se voltando às suas raízes animalescas. Essa é a sinopse do filme, o roteiro não apaga a história que conhecemos do pequeno Christopher brincando com seus amigos animais, mas extrapola o que esse animais podem fazer com a dor do abandono e da solidão.

Ursinho Pooh: Sangue e Mel é um filme que você vai assistir sabendo que não será uma obra prima. O espectador já espera que vai ser uma obra ruim, de baixo orçamento, com várias falhas e muito gore. E é isto que ele entrega. Poderia fazer um longo texto aqui falando das diversas falhas e defeitos do filme, mas não acrescentaria em nada para a reflexão sobre ele. Ursinho Pooh: Sangue e Mel é uma fraquíssima peça cinematográfica, mas serve como um divertido e trash entretenimento.

Mesmo que eu aceite a ruindade do filme e embarque nessa onda, é importante ressaltar um grande defeito do filmes, mesmo sendo um despretensioso trash: o machismo. Ursinho Pooh: Sangue e Mel coloca as mulheres em um lugar que os filmes de terror têm trabalhado para mudar nas últimas décadas. A trama nos apresenta basicamente apenas o Christopher Robin de homem como vítima, enquanto o grupo principal de cinco amigas são as verdadeiras vítimas dos macabros Pooh e Leitão.

O filme as coloca naquele lugar de mulheres sem muita inteligência e fracas, que a todo momento tomam decisões que as colocam em perigo. Mesmo o filme tentando abrir uma discursão sobre assédio sexual e o medo das mulheres perante a sociedade, ele as deixa nuas ou semi-nuas sem motivos aparentes que não acrescentam em nada na narrativa ou na tensão das cenas de terror.

Ursinho Pooh: Sangue e Mel utiliza-se bem de efeitos práticos para disfarçar sua falta de orçamento. Nos apresenta uma premissa instigante, mas uma resolução muito fraca e aquém do que poderia acontecer. Fica longe de ser uma grande obra cinematográfica ou até mesmo um terror marcante, mas por se tratar de um personagem tão querido, nos gera curiosidade e uma ligação. Se você ficou impactado com a ideia desse filme, se prepare que vem mais. Além da sequência do terror do Pooh, o diretor Rhys Frake-Waterfield está planejando também uma releitura de Peter Pan na mesma linha de Ursinho Pooh: Sangue e Mel.

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