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CRÍTICA | O teatral ‘Capitu e o Capítulo’

Dom Casmurro é uma das obras literárias mais icônicas da história brasileira. Ela já foi transportada para os cinemas diversas vezes e de diversas formas, como o clássico ‘Capitu’, de Paulo César Saraceni, em 1968, ou a atualização modernista em ‘Dom’, de Moacyr Góes, em 2003. Lançado em 2021 e chegando aos cinemas em 2023, ‘Capitu e o Capítulo’, de Júlio Bressane, traz uma nova reimaginação para esta história.

É importante levar em conta que Bressane é um diretor que veio do cinema marginal, como ‘Matou a Família e Foi ao Cinema’ (1969), ‘Copacabana Mon Amour’ (1970), entre tantos outros. Seu cinema foge de uma narrativa clássica que estamos acostumados no cinema comercial e ele provoca o espectador a sentimentos e interpretações únicas. Dito isto, levando em consideração sua ótima filmografia dos anos 1960, 70 e 80, em ‘Capitu e o Capítulo’ parece que Bressane perde a mão e se perde em um emaranhado de cenas desconexas baseadas na obra de Machado de Assis e referenciando a outros poetas brasileiros.

Além de ser uma adaptação de uma obra clássica da literatura brasileira, ‘Capitu e o Capítulo’ traz um elenco de peso, com nomes como Mariana Ximenes, Vladimir Brichta e Enrique Díaz. O elenco faz um belíssimo trabalho com o que é lhe dado, mas infelizmente o material que é dado não prende o espectador à frente da tela. É também justo dizer que, apesar do roteiro maçante, a direção de Bressane é bastante eficiente e artística, apesar da câmera raramente em movimento, nos remetendo bastante a uma sensação teatral, os atores utilizam bem o espaço, e nos poucos movimentos de câmera que acontecem, eles nos propõe ângulos e movimentos belos e artísticos.

Capitu e o Capítulo, com Vladimir Brichta, estreia nos cinemas dia 27 de  julho -

Talvez eu não seja inteligente o suficiente para entender o filme, ou talvez ele seja prepotente e não se faça entender, mas é certo que ‘Capitu e o Capítulo’ traz um pouco mais de 1 hora de cinema experimental maçante, que em certos momentos pode nos chamar a atenção por sua beleza artística, mas na maior parte do tempo faz com que o espectador torça pelo seu fim.

NOTA: 1/5

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