CRÍTICA | “Bird Box: Barcelona” se destaca por abordar uma perspectiva diferente

Cinco anos após a estreia do filme original estrelado por Sandra Bullock, a Netflix lançou seu novo derivado “Bird Box: Barcelona” na última sexta-feira (14). Com a cidade espanhola como plano de fundo, o novo filme não foca inteiramente em sobreviventes e sim nos “videntes”, uma ameaça já apresentada no primeiro longa.

Na trama, acompanhamos Sebastian (Mario Casas) e sua filha Anna (Alejandra Howard) em uma jornada de sobrevivência pelas ruas desoladas de Barcelona. Mas, ao desenvolver uma aliança incômoda junto a outros sobreviventes em busca de um lugar seguro, eles descobrem uma ameaça ainda mais assustadora que não para de crescer. (*)

Bird Box Barcelona ending explained

O longa carrega muita personalidade e cria uma identidade própria, se afastando de comparações e moldes similares a narrativa do filme lançado em 2018. Como já mencionado, a história escolhe abordar a perspectiva de um “vidente”, mostrando suas motivações, ambições e o que o move a sacrificar as pessoas para este grande mal.

Caso você não se lembre o que é um “vidente” são pessoas que acreditam que essa ameaça invisível são um bem para a humanidade e que olhar é inevitável. Assim, eles manipulam os grupos de sobreviventes e fazem com que eles acabem sendo mortos ao destampar seus olhos. Tom Hollander foi o responsável por viver este tipo de sobrevivente no filme anterior. 

Assim, “Bird Box: Barcelona” surpreende ao entregar um começo avassalador pela ameaça de traição e mortes tragicamente terríveis. O primeiro ato da obra é, definitivamente, brutal e cruel em todas as formas que abrangem a palavra. No entanto, ele acaba perdendo seu efeito ao longo do seu desenvolvimento.

Bird Box Barcelona' Official Poster Warns You to Fear the Ones Who See -  Bloody Disgusting

A escolha de abordar um tipo de seita fanática religiosa é um ponto muito positivo, já que consegue expandir o universo Bird Box de forma com que a história não se repita e fique enjoativa de ser assistida. Todavia, a partir da primeira hora (quando o protagonista se encontra com o segundo grupo) tudo fica muito vazio e monótono. 

As ameaças não são tão significativa, os obstáculos são preguiçosos e o que mais anima é ver se o personagem “vidente” terá ou não sua redenção. Infelizmente, ao fim, o filme peca pelo seu excesso e apresenta um desfecho teatral, fantasioso e confuso ao espectador que tenta entender as mil e uma subjetividades que a trama insere.

Bird Box: Barcelona” tem um começo bastante promissor, choca e prende a atenção do espectador com o inesperado. Todavia, se perde por se tornar previsível e não saber replicar a dose de originalidade ao construir momentos que os sobreviventes tem de enfrentar para achar um lugar seguro. A verdade é que se não fosse pela atuação de Mario Casas o final seria intragável. 

Nota: 3/5

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