Três anos após o lançamento do blockbuster de ação que tirou a imagem fixa de Chris Hemsworth com o Thor da Marvel, a Netflix lançou no seu catálogo no último dia 16 a sequência, Resgate 2. Com uma clara evolução técnica, o filme consegue elevar a qualidade da produção, mas ainda carrega consigo os mesmos erros do primeiro longa.
No segundo filme, do que promete ser uma trilogia, acompanhamos o retorno de Tyler Rake (Hemsworth), após uma experiência de quase morte nos eventos do filme anterior. Agora, Rake deve resgatar a família de Zurab (Tornike Gogrichiani), um gângster impiedoso da Geórgia, e libertar a todos de uma prisão de segurança máxima na qual que estão sendo mantidos, contando com a ajuda dos irmãos mercenários Nik Khan (Golshifteh Farahani) e Yaz Khan (Adam Bessa). (*)

Com um pouco mais de duas horas de duração, o filme dirigido por Sam Hargrave e com roteiro de Joe Russo repete a dose de ação, com Hemsworth ainda muito habilidoso em protagonizar performances que exige muito do seu condicionamento físico. O ator demonstra estar confortável em cenários de ação mais bruta mas não demonstra evolução em seu desempenho no drama.
Este é um filme que exige muito do protagonista, visto que o roteiro promete aprofundar mais no seu passado e suas motivações. O longa constrói momentos mais intensos e dramáticos, focando em dramas familiares, e Hemsworth decepciona ao se apagar inteiramente ao lidar com esses obstáculos emocionais.
Há de ressaltar que, apesar de decepcionar neste sentido, o ator cria uma parceria incrível com o diretor nas cenas de ação, principalmente no resgate na prisão. A cena sem corte algum, que dura aproximadamente 21 minutos, é de tirar o fôlego. Hargrave demonstra uma aptidão indiscutível em cronometrar cada momento em suas lentes, acompanhado da ajuda de Hemsworth que não deixa a peteca cair em nenhum momento e suporta a exaustão de um plano sequência avassalador.

Confesso que senti falta de uma dinâmica entre o agente e o resgatado, como vimos no primeiro longa. Aqui, o protagonista resgata uma família, e apesar disso contribuir com um aprofundamento que faltava no antecessor, não cria um vínculo que nos aproxime com os personagens. Na verdade, Resgate 2 provoca um distanciamento muito grande entre eles, dando um foco bem maior ao agente Tyler.
Se prestarmos atenção além das cenas intensas de ação, iremos achar inúmeros defeitos na produção. O roteiro subestima a inteligência do espectador ao promover cenários que requer de nós muita imaginação para elevar nosso nível de descrença. No entanto, se você não se importa com isso em filmes do gênero, esse será o menor dos problemas.
Com menos filtro amarelo, mas ainda com complexo de salvador estadunidense, Resgate 2 bebe da grande fonte de filmes genéricos de ação e se orgulha disso. Ele não tenta ser inovador, nem surpreender a audiência com algo inédito, mas se dá bem em entregar o que sabe de melhor: ação, ação e mais ação.
Nota: 3/5