O que é real e o que não é? Essa pergunta progride de forma avassaladora e cresce envolta de um sentimento aterrorizante em “O Chalé“, filme da dupla Severin Fiala e Veronika Franz lançado em 2019.
No longa acompanhamos Grace (Riley Keough) que planeja uma viagem de férias com os dois filhos de seu noivo. Tentando aproveitar a situação para realizar uma maior aproximação, ela percebe que terá problemas quando uma nevasca deixa os três presos e forças sobrenaturais passam a assombrá-los.

Apostando em ambientes escuros, que tendem a enclausurar o espectador em cômodos com figuras religiosas, o filme cria uma tensão diante do inesperado. Não sabemos o que iremos ganhar depois de sermos surpreendidos com uma cena de suicídio logo nos minutos iniciais. Toda trama se apoia em brincar com os sentidos do espectador e sempre subverter suas expectativas.
O roteiro adiciona pitadas de traumas decorrentes de um fanatismo religioso para endossar a personalidade instável da personagem vivida por Keough. A atriz brilha e dita o rumo que a produção tece, com sua imprevisibilidade e sua intensidade dominadora perante os acontecimentos que tomam uma proporção maior do que eu poderia imaginar.
O elenco infantil também não fica para trás. Jaeden Martell e Lia McHugh confundem e brincam com a sanidade da protagonista e do público. A dupla convence em tudo que se propõe a fazer e garante um final que eles não conseguiriam imaginar.

Uma coisa é certa “O Chalé” não é um filme previsível. Ele não precisa de sustos para fazer da sua audiência temerosa, nem precisa do sobrenatural para chocar e surpreender. O seu maior aliado é o perigo de uma mente humana quebrada, mais a combinação de crianças traumatizadas e vingativas.
O longa lançado em 2019 ganhou uma nova popularidade quando entrou no catálogo da Netflix neste ano, e, agora, eu entendo o porquê. O terror tem uma linguagem bem característica da diretora e roteirista Veronika Franz, que também trabalhou em Boa Noite, Mamãe (2014), e soube bem aplicar isto em um cenário isolador e um tanto quanto bizarro.
Nota: 4/5
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