A mais nova adição do time de filmes baseados em livros hot, “Minha Culpa” estreou na última quinta-feira (8) no Prime Video. Com muita química e momentos dignos de fanfic, o filme prova que este gênero pode até funcionar no mundo literário, mas as chances de transformá-lo em um filme realmente bom são ínfimas.
Baseado na trilogia de Mercedes Ron, “Minha Culpa” segue a história da jovem Noah (Nicole Wallace), que deve deixar sua cidade, namorado e amigos para se mudar para a mansão de William Leister (Iván Sánchez), o rico novo marido de sua mãe. Até que tudo começa a mudar quando ela conhece Nick (Gabriel Guevara), seu novo meio-irmão, com quem ela se desentende constantemente devido às suas personalidades fortes. Apesar do abismo que os separa, ambos começam a sentir uma atração irresistível que logo se transformará em puro fogo e paixão desenfreada. (*)

Com 1 hora e 57 minutos de duração, o longa espanhol é repleto de clichês conhecidos pelos leitores de romance apimentado. Há a “implicância” que logo se transforma em desejo, o bad boy, gangues, traumas e até um sequestro! Até mesmo os diálogos parecem ter saído de uma fanfic do Wattpad, e eu não digo isso para diminuir as produções textuais deste site, mas sim para me fazer ser compreendida quando explico que a moldagem do roteiro replica a fórmula que conhecemos e consumimos há décadas letra por letra.
Bem, de uma coisa não pode-se reclamar. Nicole Wallace e Gabriel Guevara compartilham em tela a química necessária para fazer da história mais convincente. Apesar de tudo acontecer muito rápido, os atores desempenham bem seus papéis e garantem que tudo que vemos em tela carrega algum tipo de veracidade.

Ainda assim, vale reforçar que, mesmo com o carisma e uma atuação “ok”, os protagonistas não sustentam todo o longa. A produção pode soar nostálgica para alguns, e eu explico o porquê: vai te lembrar a novela Malhação. Com cenários fixos e sem explorar a cidade em que está situada, a obra aposta todas as fichas na química dos personagens e nas disputas ilegais de corrida de carro, e, assim, esquece do todo resto.
Como um soft porn para adolescentes, “Minha Culpa” pelo menos passa longe de ser problemático em sua narrativa. É brega, cafona e causa um pouco de vergonha alheia? Sim. Mas quem costuma ler livros deste gênero pode sentir uma certa familiaridade e pelo menos tirar um proveito dessa experiência: diversão. Bem, pelo menos foi assim comigo.
Nota: 2,5/5