Barry teve seu último episódio exibido no último domingo (28/05) pela HBO. A série criada e protagonizada por Bill Hader chega ao fim após quatro temporadas, se consagrando como uma das maiores comédias do selo HBO.
É notório que o tom da série tenha mudado ao longo das temporadas, saindo de uma pura comédia pra algo mais dramático e tenso, mas não é como se essa mudança tenha sido brusca e sem sentido, a série foi trabalhando isso ao passar do tempo, evoluindo a cada temporada até chegar no seu clímax final.
A terceira temporada da série deixou um gancho enorme com Barry indo para a prisão e toda a dinâmica vista até então mudando para o ano final. Por mais que tenhamos momentos cômicos, se estabeleceu um eixo mais dramático no núcleo Barry – Sally – Gene, e a comédia da série ficou voltada para os arcos do Fuches e do NoHo Hank.

Começando pelos arcos menos centrais, Noho Hank (Anthony Carrigan) começou a série como um coadjuvante, mas logo cresceu, tanto pela potência do personagem, quanto pelo ótimo trabalho do Carrigan. A relação de Hank com Cristobal (Michael Irby) desafia os limites do amor com a ganância e a violência. Os personagens recebem conclusões surpreendentes, até certo ponto amargas, mas que caminham com o que a série conduz.
Fuches (Stephen Root) é um dos personagens mais inconstantes da série, em tempos ele acrescenta demais à trama, em tempos ele torna cansativo a sua presença, mas a série dá um destino digno para o personagem emergindo até em uma auto reflexão até chegar em uma certa redenção (não sei se merecida ou não).

Gene Cousineau (Henry Winkler) toma um caminho totalmente inesperado, cheio de entrelinhas. A ganância e sede por fama do personagem traçam um destino sombrio para o velho ator. Se o mundo fosse preto no branco, Gene caminharia entre o heroísmo e a vilania a todo tempo em Barry, mas a série sempre deixa os personagens em uma área muito cinzenta, fazendo nos aproximar e entender as suas escolhas, seja para o bem ou para o mal.
Sally Reed (Sarah Goldberg) é com certeza uma das personagens mais bem explorada dessa série, a forma como ela própria sabota o seu sucesso e ao mesmo tempo tudo acaba confluindo para as coisas não darem certo nos deixa abalados com a personagem, mas ao mesmo tempo não nos sentimos tão mal pelo caminho que ela própria traçou. No final de contas, após péssimas decisões que a personagem toma, ela consegue um final digno. Sarah entregou muito nessa temporada, tendo devido a alguns episódios indicações de melhores atuações da semana no circuito hollywoodiano.

Mas o maior destaque da temporada foi realmente o Bill Hader. Não apenas pela sua atuação (mais uma vez) espetacular como Barry Berkman, mas também pela sua incrível capacidade de criar esse universo e conseguir o conduzir sem buracos e grandes falas do começo ao fim. Bill soube muito bem a hora de terminar Barry, e mesmo ela estando em alta, não quis prolongar a narrativa. Hader também demonstrou sua qualidade na direção, dirigindo todos os episódios da temporada. Ele já fez o papel de diretor em temporadas passadas, mas nessa ele explora ainda mais e experimenta mais como diretor do que como próprio roteirista, e já estou ansioso para ver seus próximos trabalhos.
Bill Hader nessa temporada escancara de forma bem didática a sua crítica da banalização da violência (que toda a série trata sobre isso) e, consequentemente, sobre a facilidade do armamento da população nos EUA. E quanto ao final de Berkman? O personagem tenta uma caminhada de redenção, e qualquer outro final dado ao personagem não seria coerente com o que a série construiu. Com uma paulada matadora, a cena final da série nos faz rir ao mesmo tempo que nos deixa constrangidos, faz jus a toda essa caminhada dos quatro anos da espetacular série que foi Barry.
NOTA: 5/5