O gênero true crime sempre guardou para si um charme indiscutível para o público que detém da sede da curiosidade sobre casos bizarramente cruéis. “Amor e Morte” resgata um caso criminal dos anos 80, que chocou uma pequena cidade devido a morte de uma professora com 40 machadadas.
Protagonizada por Elizabeth Olsen, a minissérie de 7 episódios destrincha a história de Candy Montgomery, uma mãe do Texas que após ter um caso extra conjugal, assassina a sangue frio a esposa de seu amante com um machado. O caso se torna emblemático até hoje pois a verdade nunca foi descoberta, apesar de Candy ter sido absolvida de seus crimes, um fato é certo: ela matou Betty Gore e não contou a história por completo.

Durante os seus episódios, “Amor e Morte” constrói a imagem de uma mulher religiosa que quer apenas ter uma aventura sexual para se sentir viva. Todos seus atos são justificados, seja pela solidão de uma esposa invisível para o marido ou traumas de uma infância conturbada. Até aqui, não há problema… ele surge quando vemos em todos episódios os dizeres: Esta é uma história real.
A abordagem narrativa da trama traça um caminho condenável para este tipo de premissa. A história é toda projetada na visão da assassina Candy, no entanto não é levantada a hipótese em momento algum que ela é apenas uma VERSÃO da história. Pelo ao contrario, a produção trata isso como a sua maior e única verdade absoluta. Soando, quase, como se esta obra fosse feita para limpar o nome Montgomery.

Confesso que a escolha de santificar e humanizar a assassina foi um fator decisivo para eu consumir a história a contragosto. No entanto, não me cegou diante da produção que se destacou em todos os aspectos técnicos. Seja na ambientação e no figurino de época, ou até mesmo na montagem da série, é visível o alto orçamento que a obra usurfruiu.
Ainda assim, vale comentar sobre o desempenho do elenco, além da escolha criativa da trama. Olsen é a parte mais fraca do grupo de atores, já que a atriz repete seu papel de Wanda nesta minissérie, não sabendo se desvencilhar da feiticeira da Marvel e entrega performances caricatas e engessadas. Enquanto isso, Patrick Fugit, Jesse Plemmons, Lily Rabe e Tom Pelphrey se destacam dentro de seus papéis que não carregam tanto protagonismo quanto Olsen. Seja nas partes mais dramáticas ou mais intensas, como o julgamento final, o elenco coadjuvante consegue elevar a qualidade da obra.
“Amor e Morte” é uma série que eu não recomendaria para um fã de true crime, pela sua parcialidade, mas recomendaria para os fãs de Elizabeth Olsen, já que aparentemente os fãs da atriz se sentiram satisfeitos com o retorno da sua persona de WandaVision. Com uma boa qualidade técnica e uma abordagem perigosa, o drama é ofuscado entre as produções do gênero e se tornará esquecível em questão de semanas.
Nota: 2/5