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CRÍTICA | “Dear Zoe” detém de uma história intensamente dramática mas desperdiça potencial com escolhas duvidosas

Lançado no final do ano passado, “Dear Zoe” entrega uma Sadie Sink mais madura para a indústria cinematografia. A estrela de Stranger Things estrela um coming of age regado de dor e amadurecimento em uma produção que tinha de tudo para se destacar senão fosse…bem, todo o resto.

Contando com a direção de Gren Wells, “Dear Zoe” traz a história de Tess (Sink) uma adolescente que está tentando superar a morte trágica de sua irmã mais nova. Com isso, a jovem recorre a fuga de seus sentimentos para tentar enfrentar o luto, assim, se muda para a casa de seu pai e encontra um novo amor. 

Com um pouco mais de 1 hora e meia de duração, o longa ambientado nos anos 2000 traz a tragédia das torres gêmeas para realizar uma analogia a história da protagonista. Um evento que muda completamente a sua vida, sendo assim, irá existir um “eu” antes e um “eu” depois do evento, e as coisas jamais serão as mesmas. É nesse estágio que a protagonista está no começo da trama, tentando lidar com o novo cenário deprimente de sua vida.

Gene Therapy: 'Dear Zoe,' by Pittsburgh writer Philip Beard, a story of  love and fear for our time | Pittsburgh Post-Gazette

Além de Sink, o elenco do longa conta com nomes femininos bastante conhecidos, como Jessica Capshaw (de Grey’s Anatomy) e Vivien Lyra Blair (de Obi Wan Kenobi). Neste quesito a produção não decepciona. O trio protagoniza cenas que abalam o espectador e eleva o drama da trama a máxima potência, sendo íntimo, revelador e causando um desconforto necessário dentro dos tópicos abordados.

Todavia, o elenco masculino peca MUITO em se manter no mesmo nível que suas colegas de elenco. Sem exceção alguma, todos os homens são exagerados ou completamente apagados, não conseguindo achar um equilíbrio necessário para fazer da trama algo espetacular.

Talvez o maior defeito, além do citado acima, tenha sido a qualidade técnica da produção que se mantém fiel ao padrão utilizado nos anos 2000, seja na sua edição quanto na montagem das cenas, fazendo do filme um material inferior visualmente. O que é uma pena, porque somado a atuação inferior da metade do elenco, “Dear Zoe” tem seu potencial de ser queridinho dos cinéfilos jogado no lixo.

Dear Zoe,” a Pittsburgh film with universal themes | The Pittsburgh Jewish  Chronicle

“Dear Zoe” carrega uma história densa em todo seu esqueleto narrativo, do começo ao fim a trama promete um drama que quer emocionar, abalar e até mesmo chocar. No entanto, o suspense do acidente da irmã – que é revelado só nos minutos finais – é alimentado de uma forma que não é condizente com o que foi apresentado na conclusão. É uma tragédia? De fato é. Mas do modo como o longa aborda isso durante todo a sua produção nos faz imaginar o pior dos piores. Quando enfim é revelado, confesso que me senti mal porque a única coisa que realmente me afetou foi a atuação exímia de Sink.

Apesar de toda sua intensidade, o drama consegue nos conduzir para uma jornada de amadurecimento e descoberta dos sentimentos, sejam eles positivos e negativos. A obra sabe dosar os sentimentos que devem ser transparecidos, não torna o filme cansativo de se assistir quando intercala com momentos mais doces e descontraídos entre a protagonista e seu interesse romântico. Realmente é um filme para ficar atento, caso queira acompanhar a evolução artística de Sadie Sink.

Nota: 3/5

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