Diferente do que você esperava, e não digo isso como elogio, “O Chamado 4: Samara Ressurge” já pode ser considerado como a maior fake news do cinema de 2023. Originalmente intitulado como Sadako DX, o longa japonês funciona como um soft reboot da trilogia japonesa, mas seu título engana o espectador que espera a continuação da trilogia protagonizada por Naomi Watts.
Com a direção de Hisashi Kimura, “O Chamado 4: Samara Ressurge” conta a história de Ayaka Ichijo (Fûka Koshiba), uma estudante inteligentíssima, mas cética em relação ao vídeo e à lenda de Sadako. Até que sua irmã Futaba (Yuki Yagi) assistiu uma cópia da fita e descobre que a morte dela não ocorrerá em sete dias, mas em 24 horas, levando-a a desvendar a maldição de Sadako para salvá-la.

Apesar de ter somente 1 hora e 40 minutos de duração, o terror japonês parece durar uma eternidade. Isso, porque ele é extremamente ineficaz em tudo que se propõe a abordar. Não consegue criar uma atmosfera aterrorizante em torno da lenda, não consegue nos fazer criar conexão com os personagens e nem ao menos faz seu alívio cômico se tornar algo que aliviasse a tensão – visto que é completamente ineficaz e só nos proporciona irritação.
Ao contrário da maioria dos filmes que abordam a maldição da vida, “O Chamado 4: Samara Ressurge” prefere forcar no cetismo para construir sua trama principal. Aqui não há o arco da cética que começa a acreditar em maldições, já que até os momentos finais ela permanece a mesma que vimos no início da trama. Na verdade, ela cria um certo tipo de lógica irreal que Sadako é como um vírus e devemos nos proteger como uma doença qualquer.
A escolha do roteiro de tirar o misticismo, até nos momentos que ele prevalece, pelas atitudes da protagonista é um dos inúmeros erros desse filme. É desastroso, ridículo e um artifício preguiçoso para a construção de uma narrativa que tenta ser um soft reboot da franquia.

O desempenho do elenco garante um lugar dentro da vasta lista de defeitos de “O Chamado 4: Samara Ressurge” . Enquanto não há empatia alguma dos espectadores por qualquer personagem apresentado, todos são performados de maneira enfadonha, monótona e muitas vezes irritante. Até nos momentos mais intensos, como mortes ou perseguições, o elenco é negligente em seu papel de fornecer o convencimento das situações que lhe são imputadas.
Isso se estende aos demais plot twists que a trama tenta inserir. Como, por exemplo, a forma como Sadako surge para suas vítimas ou quem espalhou a fita e o porquê. Não vou me estender dentro desses dois pontos porque não quero estragar (mais ainda) a experiência de quem for corajoso e assistir esse desastre.

“O Chamado 4: Samara Ressurge” é um filme literalmente feio e ruim, falando à grosso modo. Sua cinematografia é preguiçosa e desleixada, bem como seus efeitos sonoros e visuais. É inacreditável como puderam errar nesta magnitude mesmo com tantos exemplos na franquia do que fazer e não fazer. O filme não consegue ser consumido nem se olharmos como um trash, porque ele se leva a sério demais em todos seus diálogos e intervenções. Ao fim, são apenas 1 hora e 40 minutos que jamais terei de volta na minha vida.
O filme estreia nesta quinta-feira (27) nos cinemas brasileiros.
Nota: ½/5