O novo lançamento tailandês da Netflix é regado de uma direção de fotografia espetacular, com diálogos bem construídos e uma crítica social facilmente lida e identificada pelo povo brasileiro. “Fome de Sucesso” consegue construir através de um drama intenso um debate acerca da desigualdade social e a ganância cega da humanidade.
Em Fome de Sucesso, conhecemos a jovem Aoy (Chutimon Chuengcharoensukying) que administra o restaurante de sua família, até que um dia, ela recebe um convite para deixar o negócio familiar e se juntar à equipe ‘Hunger‘, a primeira equipe de chefs de luxo da Tailândia, liderada pelo famoso (e infame) Chef Paul (Nopachai Chaiyanam).
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Com 2 horas e 10 minutos de duração, o longa consegue destrinchar bem os degraus para uma carreira de sucesso. No entanto, ele levanta o questionamento: a que custo? quanto de você, você está disposto a abrir mão? Através de nossa protagonista, fica compreensível assimilar com clareza os limites morais ao observar como a fome por ganância, poder e luxo são desenfreadas.
O filme sabe muito bem abordar uma crítica social a respeito da desigualdade social. Ele une o exagero a uma crítica séria para suavizar mais a trama, ainda assim, choca e nos deixa refletindo a respeito dos absurdos vistos em tela. Com a comida sendo o seu maior e fiel aliado, “Fome de Sucesso” utiliza da exclusividade para evidenciar a futilidade que habita naqueles que detém de fortunas irresponsáveis. Isso ganha evidência nas festas e na forma performática que o chefe de cozinha exibe suas criações.

Contudo, o filme não se limita a criticar a classe mais rica e se estende ao explorar a personalidade de Paul, um homem que saiu da pobreza e hoje está em um nível hierárquico social de privilégio. Toda sua personalidade excêntrica o faz ser o melhor dos melhores, mas sua régua moral é baseada no repúdio que sente por aqueles que um dia o menosprezaram. Logo, sua maior intenção dentro do ramo não é proporcionar experiências culinárias únicas e sim fazer dos seus opressores seu fantoche.
Ainda assim, vale deixar claro que o fim é um pouco decepcionante. Apesar de nossa protagonista ter um desenvolvimento ótimo e ganhar uma clareza a respeito das desigualdades e do egocentrismo da humanidade, ela volta ao início. Em vez de quebrar o paradigma e estereótipo inserido em sua crítica, ele a reforça. Assim, mostra que a divisa entre pobre e rico fica cada vez mais larga e difícil de combater.
“Fome de Sucesso” é um filme rico em qualidade técnica, uma obra visual estonteante! O longa tailandês é uma ótima aposta para quem não está acostumado a consumir mídias asiáticas, já que sua história é de fácil compreensão e a dublagem disponível é exímia. Apesar dos debates que cercam seu roteiro, a narrativa é fluída e as horas passam voando. Ele não é inovador, mas entrega com qualidade sua proposta principal, sendo um ótimo entretenimento para quem gosta de assistir espetáculos na cozinha.
Nota: 3,5/5